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Melhora firme no emprego

Finalmente, uma PNADC, a relativa ao último trimestre de 2019, veio com notícias boas sobre o mercado de trabalho em quase todas as frentes: queda forte do desemprego, recuo do desalento e grande criação de postos formais. Só a renda que ainda está capengando.

Fernando Dantas

31 de janeiro de 2020 | 20h25

Dessa vez o resultado da PNADC, referente ao último trimestre de 2019, foi bom para valer. Segundo o economista Daniel Duque, analista de mercado de trabalho do Ibre/FGV, “há muito tempo que não vejo um resultado positivo tão generalizado”.

É verdade que a taxa de desocupação no último trimestre de 2019, de 11%, veio na mediana do Projeções Broadcast, e, portanto, não pode ser considerada uma surpresa positiva. Mas vários detalhes da PNADC de dezembro (trimestre de outubro a dezembro) indicam um bom momento do mercado de trabalho no final do ano passado.

Os desocupados no último trimestre de 2019 somaram 11,6 milhões, o que significa uma queda de 4,3% em relação aos 12,15 milhões de desempregados no último trimestre de 2018. Já a taxa de desemprego caiu de 11,6%, no último trimestre de 2018, para 11%, no mesmo período de 2019, um recuo de 0,6 ponto porcentual (pp).

Duque aponta que, tanto num caso como no outro, foram os maiores recuos desde abril de 2018 – um momento peculiar da economia brasileira, no qual o reaquecimento então em curso foi abalroado primeiro pela greve dos caminhoneiros e, em seguida, pelo estresse eleitoral.

Já o crescimento dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada no último trimestre de 2019, de 2,2% (mais 726 mil vagas), foi o maior desde setembro de 2014 – isto é, praticamente desde o início da grande recessão de 2014-2016 –, indicando que o processo de formalização parece finalmente ter ganhado tração.

Um aspecto muito positivo da PNADC de dezembro, que chamou a atenção de Duque, foi a queda simultânea da taxa de desocupação e do número de pessoas desalentadas, que recuaram 0,9%, de 4,66 milhões no último trimestre de 2018 para 4,62 milhões no mesmo período de 2019.

Ele explica que, normalmente, quando pessoas desalentadas voltam à força de trabalho, pode haver uma pressão para a taxa de desemprego subir, porque nem todas conseguem se empregar. Mas a queda dos desalentados e da desocupação ao mesmo tempo indica que esse contingente está sendo absorvido pelo mercado de trabalho.

Isso também ajuda a explicar também o único indicador decepcionante da PNADC de dezembro, na visão de Duque, que foi o avanço de apenas 0,4% da renda de todos os trabalhos, em relação ao último trimestre de 2018. A absorção forte de novos trabalhadores, inclusive desalentados, frequentemente se dá com salários inicialmente baixos. Outro fator a reduzir o aumento da renda real foi o repique da inflação no final de 2019.

Em relação a 2020, Duque acha factível que a massa salarial cresça 3% em termos reais, combinando um aumento de renda ainda modesto de 1% com um avanço da população ocupada de 2%.

Em termos de formalização, a PNADC de dezembro também foi bastante animadora. Num critério que soma empregados do setor privado com carteira, trabalhadores domésticos com carteira, trabalhadores do setor público com carteira ou militares e estatutários, empregadores com CNPJ e os conta própria com CNPJ, foram criadas 1,15 milhão de vagas formais no último trimestre de 2019.

Já a soma dos trabalhadores do setor privado sem carteira, dos trabalhadores domésticos sem carteira, dos trabalhadores do setor público sem carteira, dos empregadores sem CNPJ, dos contra própria sem CNPJ e dos trabalhadores familiares auxiliares foi de 663 mil vagas informais.

A abertura de vagas formais, portanto, foi 74% superior à das vagas informais (naquele critério) no último trimestre de 2019.

Adicionalmente, na principal categoria do emprego formal, os trabalhadores do setor privado com carteira, foram criadas 726 mil vagas, bem acima da principal categoria do setor informal, os conta própria sem CNPJ, em que houve criação de 371 mil vagas.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 31/1/20, sexta-feira.

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