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Meta de inflação de 4,25%?

Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, defende redução da meta de inflação de 2017 para 4,25%, e da banda de tolerância para 1,5 ponto porcentual.

Fernando Dantas

24 de junho de 2015 | 19h36

O economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, pensa que o Conselho Monetário Nacional (CMN) deveria reduzir a meta de inflação de 2017 para 4,25% na sua reunião nesta quinta-feira (25/6/15), e diminuir o intervalo da banda de tolerância de dois para 1,5 ponto porcentual (pp).

Ele nota que esta é uma posição que defende há anos. Junto com o economista Fábio Giambiagi, já propôs que a meta de inflação seja reduzida em 0,25 pp a cada quatro anos, de tal forma que convirja gradativamente para 3%, que é a meta, por exemplo, do Chile.

Uma proposta adicional de Barros, mas que ele considera delicada nesta hora, é de acabar com a determinação de que a meta de inflação seja cumprida dentro do ano calendário. Ele aponta um levantamento do Banco da Inglaterra (banco central), segundo o qual o Brasil e a Guatemala são os únicos países que adotam o ano-calendário, entre 27 que têm sistema de metas de inflação.

Os bancos centrais que utilizam o sistema de metas sem ano calendário têm o objetivo de manter a inflação permanentemente na meta, ou sua projeção na meta num horizonte temporal precisamente definido ou não.

Barros observa que há muitas evidências na literatura econômica de que a adoção do ano-calendário acaba levando a políticas circunstanciais que não são as ótimas em termos do bem-estar da sociedade. O ano-calendário se justificaria na fase de implementação do sistema, por ser uma forma mais fácil de compreensão pela sociedade do sistema de metas. “Depois de 16 anos do sistema no Brasil, isso não se justifica mais”, diz Barros.

Por outro lado, ele nota que, no momento em que o Banco Central faz um esforço hercúleo para reancorar as expectativas inflacionárias, transitar para um regime sem ano-calendário talvez pudesse ser interpretado como uma forma de contornar o compromisso com as metas. Assim, em termos de timing, talvez o passo devesse ser deixado para um momento em que a inflação já estivesse novamente próxima ao centro da meta e as expectativas bem ancoradas.

Quanto à redução da meta para 4,25% em 2017, Barros observa que a mediana das expectativas do mercado já está em 4,75% e a média em 4,86%, enquanto que a mediana dos Top 5 (instituições que mais acertaram as previsões – o Bradesco está no grupo atualmente) para 2017 (médio prazo mensal) já está em 4,5%. A do Bradesco é de 4,4%.

Assim, ele considera que uma redução da meta para 4,25% não só é factível e desejável numa perspectiva de longo prazo da gestão do sistema de metas, como seria útil no momento para fortalecer o compromisso anti-inflacionário do BC na difícil conjuntura atual.

Em relação a 2016, a projeção do Bradesco é de 5,2%, e Barros diz que está no patamar mais baixo das previsões do mercado. Ele acha inclusive que as expectativas, estacionadas em 5,5%, têm risco maior de se deslocar para cima do que para baixo, por causa da inflação corrente muito elevada. O Bradesco projeta que a inflação em 12 meses chegue a um pico de 9,36% em agosto, e Barros considera que o mercado subestimou o repasse de aumento de preços administrados e tributos aos preços em geral.

Nesse contexto, o economista diz que não vê incentivos para que o BC estabeleça uma meta intermediária para 2016 acima dos 4,5% que fixou como objetivo, já que este compromisso – mesmo parecendo muito difícil de atingir – ajuda a ancorar as expectativas para 2017. O cenário central do Bradesco é de apenas mais uma alta de 0,5 na Selic (para 14,25%), mas a instituição não descarta a possibilidade de 0,25 adicional na reunião de setembro do Copom. A taxa básica começaria a ser reduzida no segundo trimestre de 2016. (fernando.dantas@estadao.com)

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast

Esta coluna foi publicada pela AE-News/Broadcast em 23/6/15, terça-feira.

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