Mudança no Copom

Fernando Dantas

28 de abril de 2010 | 22h01

Deu 0,75 na cabeça, e, por mais que o BC disfarce, esta reunião de abril representa uma descontinuidade em relação à de março. Lá, houve divisão, ruído político, contradição entre o fato e a explicação (na ata), e, especialmente, um desalinhamento entre o Copom e a visão de  certa “nata” de analistas nas maiores e mais poderosas instituições financeiras privadas atuando no Brasil.

Agora houve consenso, ausência do fator político e realinhamento com aquele grupo que, pelo menos na atual conjuntura, pode ser considerado “falcão”. Quanto à harmonia entre a decisão e a ata, ainda teremos de esperar a divulgação desta última.

Se a mudança de março para abril é boa ou ruim, o leitor deve decidir. Economistas desenvolvimentistas e boa parte da opinião pública que acompanha essas coisas dirão que o BC rendeu-se ao mercado, que defende seus próprios ganhos quando pede um aumento maior de juros. E não há dúvida de que o Copom adotou a visão das vozes mais influentes do mercado.

Por outro lado, quem acredita que essas vozes pertencem a técnicos capazes – que só chegaram onde estão pela qualidade da sua formação acadêmica e por sua capacidade analítica -, que de boa-fé dizem o que acham melhor para o País, não achará particularmente ruim que o BC tenha dado o braço a torcer.

E, no final das contas, a realidade dará a palavra final. O sistema de metas tem um jeito muito simples para a gente avaliar se o BC acertou ou errou. Se a inflação subir muito acima da meta, e lá permanecer por muito tempo, ou se cair muito abaixo, e também se demorar nesta situação, provavelmente houve equívocos de, respectivamente, falta e excesso de conservadorismo. E se o BC trouxer de volta a inflação para o centro da meta numa velocidade tal que provoque uma freada dramaticamente dolorosa da economia, é provável que tenha errado também. Agora, é seguir acompanhando o ciclo de aperto monetário e aguardar os resultados.

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