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O avanço do “mapa da produtividade”

Fernando Dantas

21 de março de 2014 | 20h13

Já se aproximam de mil as iniciativas e programas do governo e da sociedade que estão sendo pacientemente classificadas em sete pilares, que por sua vez se subdividem em mais de quarenta categorias. Trata-se da elaboração do “mapa da produtividade”, uma ação coordenada por Ricardo Paes de Barros, subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República.

Barros, um dos “pais” do Bolsa-Família e associado à história de sucesso dos programas de transferência de renda no Brasil, não acha que foi a política social a principal responsável pelo enorme avanço da última décadas, com o ingresso de dezenas de milhões na classe C, a classe média popular.

“Entre os 40% mais pobres, o que fez toda a diferença foi a renda do trabalho; a gente precisa reduzir o foco para os 5% ou 10% mais pobres para, aí sim, chegar ao ponto da distribuição onde as transferências foram dominantes”, ele resume.

Segundo o economista, o aumento em cerca de dez anos de quase 20 pontos porcentuais na formalização do trabalho, com a criação de 15 milhões de empregos com carteira assinada, ao mesmo tempo em que os salários subiam, é a melhor explicação para o “milagre” social do Brasil na última década.

“Foi como se você engatasse essas pessoas no PIB, fizesse com que elas entrassem no trem”, diz Barros. O problema, ele acrescenta, é que “se a gente quiser que elas continuem melhorando, agora é preciso que o trem ande mais rápido”. Em outras palavras, a economia tem de voltar a crescer puxada pelo aumento de produtividade.

Em 1980, diz Barros, a produtividade do trabalho brasileira era aproximadamente a mesma que a coreana, e dez vezes a chinesa. Hoje, é menos de um terço da produtividade da Coreia e próximo da chinesa. “Fica complicado se inserir no mercado global assim”, comenta.

O economista observa que há ainda um trabalho de “colocar as pessoas no trem”, reduzindo ainda mais a informalidade, mas o desafio do futuro é o aumento da produtividade. Nesse sentido, ele acha que “inovação e tecnologia agora são importantes para a agenda social, e a política econômica e a política social estão se mesclando”.

Os sete pilares do mapa da produtividade incluem temas como comercialização e logística, ambiente de negócios, tecnologia e inovação, investimentos, capital humano e aperfeiçoamento do mercado de trabalho. Para Barros, esse esforço de identificação e classificação das iniciativas pró-produtividade no País é fundamental para que “o Executivo, o Congresso e a sociedade conheçam melhor o problema e o que vem sendo feito em relação a ele”.

Ele deixa implícito que aquilo que vem sendo feito não parece estar tendo muito sucesso, já que os números da produtividade no Brasil nos últimos anos têm sido decepcionantes. De qualquer forma, o “mapa” pode servir ao próximo governo como um ponto de partida para aprimorar as políticas pró-produtividade. Outros grandes temas da SAE com o qual Paes de Barros está envolvido são classe média, juventude e imigração.

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast (fernando.dantas@gmail.com)

Esta coluna foi publicada na AE-News/Broadcast na quarta-feira, 19/3/14

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