O’Neill: uma visão otimista do mundo

Fernando Dantas

23 de fevereiro de 2010 | 00h47

Nada mais revigorante do que uma breve conversa com Jim O’Neill, o já razoavelmente célebre economista-chefe do Goldman Sachs, que criou o termo Brics. Melhor ainda se o papo for seguido por uma palestra do economista.

O’Neill transborda otimismo nas suas análises da economia global: a recuperação parece mais em V do que com qualquer outra letra do alfabeto, mesmo quando se trata da produção industrial dos países ricos; a China nem precisa valorizar o seu câmbio porque já engrenou a transição de economia de poupança e exportação para economia de consumo; o Brasil vai crescer em 2010 até mais que os 6,4% da última previsão do seu colega para países emergentes no Goldman Sachs, o brasileiro Paulo Leme – de quem, aliás, O’Neill diz estar ganhando uma aposta atrás da outra, sempre por prever um crescimento do Brasil maior do que o último prognóstico de Leme.

Bem, existe o velho ditado de que “rico ri à toa”, e alguém poderia suspeitar que os suculentos bônus do Goldman Sachs talvez expliquem porque O’Neill vê o mundo com lentes cor-de-rosa. É certo, porém, que ninguém chega ao posto de economista-chefe de uma das maiores máquinas de ganhar dinheiro do mundo se não acertar bem mais do que errar.

Por isso, talvez valha a pena, neste início do ano, dar o benefício da dúvida ao simpático economista inglês de Manchester, que chegou ao Brasil em pleno Carnaval, foi duas vezes ao Sambódromo à convite da Prefeitura do Rio, assistiu ao Flamengo perder a semi-final da Taça Guanabara para o Botafogo no Maracanã (futebol é sua grande paixão, e já foi diretor do Manchester United), e participou nessa segunda-feira de um seminário sobre os Brics no Rio (onde o encontrei).

Quem sabe ele tem razão e o mundo está bem melhor do que pensa a maioria dos economistas? Eu vou torcer pelo “call”* do O’Neill.

*‘Projeção’, no dialeto anglicizado do mercado financeiro.

P.S.: O mundo dos blogs permite que se faça um postscriptum que também é – e aqui me falta o latim – ‘post’ leitura, isto é, é acrescentado depois que o texto já se tornou público. Eu mencionei a bonomia do Jim O’Neill, e é preciso separar bem as coisas, mas acho que, em citando o Goldman Sachs, não dá para deixar de mencionar que a instituição foi pega num papel muito feio de ajudar a Grécia a maquiar a sua contabilidade. Aqui, em inglês.

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