Pimco prevê recuo no juro dos EUA

Fernando Dantas

19 de julho de 2013 | 19h13

Mohamed El-Erian, cogestor do fundo Pimco (com US$ 2,04 trilhões em ativos no final de março) junto com Bill Gross, considera que a audiência desta semana de Ben Bernanke, chairman do Federal Reserve (Fed, banco central americano) no Congresso americano é a continuação do recuo dos comentários de maio e junho sobre o “tapering”, como vem sendo chamada a redução do programa de compra de títulos de longo prazo (expansão monetária).

“Nesta última audiência nós tivemos uma continuação do que vimos em 10 de julho – especificamente, a tentativa do chairman Ben Bernanke de recuar (ou, mais acuradamente, de recuar discursivamente) dos seus comentários sobre o tapering de 22 de maio e de 19 de junho”, comentou El-Erian, em respostas por e-mail a algumas perguntas deste colunista.

El-Erian acrescentou que Gross acredita que há chances de um não desprezível recuo da rentabilidade dos títulos do Tesouro americano de dez anos até o final de 2013. Para Gross, o retorno dos Treasuries poderia cair para perto de 2,2% no final do ano.

A taxa chegou a ficar até ligeiramente abaixo de 1,7% antes das falas iniciais de Bernanke sobre o tapering, alcançou um pico de quase 2,8% no auge do nervosismo pós-comentários em junho, e agora está por volta de 2,5%.

Se a projeção do Pimco estiver correta, isto pode representar certo alívio para o governo brasileiro, já que a alta dos títulos americanos tem um impacto negativo direto nos fluxos de capitais para o Brasil, e contribui para desvalorizar o real – o que, por sua vez, complica a estratégia anti-inflacionária do Banco Central.

Ainda assim, El-Erian acha que países emergentes como o Brasil devem ser preparar para lidar com a alta volatilidade “por conta das medidas experimentais de política monetária que vêm sendo implementadas pelos bancos centrais ocidentais em geral, e pelo Fed em particular”.

O gestor nota que, nestas circunstâncias, o “prêmio” para políticas econômicas coerentes e tempestivas será ainda maior do que o habitual. El-Erian não comentou diretamente, mas fica implícito que, por outro lado, os custos de políticas econômicas equivocadas também estão sendo exacerbados.

Em relação à China, ele diz que a expectativa do Pimco é de um crescimento de 7%, um pouco abaixo dos objetivos do governo do país e das projeções do FMI. O fundo americano enxerga sinais de algumas bolhas de ativos na China, mas não acredita que elas levarão ao chamado “pouso forçado” no país, isto é, uma desaceleração brusca e traumática. Se isto estiver correto, também é uma boa notícia para o governo brasileiro.

Esta coluna foi publicada originalmente na AE-News/Broacast

fernando.dantas@estadao.com

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