Previsão de chuvas ainda não dá alívio

Fernando Dantas

14 de julho de 2014 | 19h13

As projeções meteorológicas para o próximo período úmido de verão não apontam para a recuperação parcial ou total do sistema de reservatórios do Sudeste, responsável pela maior parte do abastecimento de energia do país. A análise é de Paulo Etchichury, diretor da Somar, empresa de meteorologia.

Segundo o especialista, a previsão por enquanto é de um período úmido com variabilidade de distribuição espacial de chuvas. “O desejável e necessário é que houvesse concentração de chuvas nas bacias do Rio Grande e Paranaíba, que abastecem o sistema Sudeste, mas as condições indicam que haverá chuvas mais espalhadas pelo Sul, Sudeste e Nordeste”, ele diz.

Etchichury explica que as chuvas atuais estão atingindo apenas o sistema Sul, o que ajuda em termos de poupar um pouco o sistema Sudeste, mas não resolve o problema. Os reservatórios do Sudeste estão com um nível de aproximadamente 35% da capacidade.

Por outro lado, o meteorologista acha que as chuvas no Sul e as perspectivas do verão reduzem por ora as chances de situações mais críticas no curto prazo. Mas ele prevê que novembro e dezembro serão meses tensos para os gestores do setor elétrico. Entre outras razões porque, com a volta do calor, o consumo de energia vai aumentar.

A projeção também é de que as chuvas no verão sejam intermitentes, perdurando por alguns dias, mas com intervalos de dias entre um episódio e outro. Segundo Etchichury, esse padrão torna mais difícil que o sólido fique úmido, especialmente levando em consideração as temperaturas mais quentes. O solo seco, por sua vez, atrapalha a absorção da água das chuvas pelas bacias hidrográficas.

As chuvas fortes no Sul, de acordo com o meteorologista, têm como causa principal o aquecimento das águas no Atlântico Sul, mas também derivam em alguma medida do fato de que as águas no Pacífico Leste (costa do Equador e Peru) também estão um pouco aquecidas. Mas ele frisa que este aquecimento no Pacífico não chega a configurar o fenômeno El Niño, em que as temperaturas mais elevadas ocorrem de maneira mais ampla.

No caso de um El Niño, as chuvas fortes no Sul poderiam acontecer até o fim do ano, o que contribuiria para amenizar a situação do sistema Sudeste. Mas Etchichury diz que a projeção é de que julho já não seja um mês chuvoso.

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta nota foi publicada pela AE-News/Broadcast em 11/7/2014, sexta-feira.

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