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Rogoff: QE acima das expectativas, mas não resolve

Fernando Dantas

23 de janeiro de 2015 | 12h43

Davos – Para o economista Kenneth Rogoff, o programa de expansão quantitativa (QE, na sigla e inglês) que acaba de ser detalhado pelo Banco Central Europeu (BCE) foi uma surpresa positiva pelo seu tamanho e características, mas é apenas um primeiro passo na difícil estrada de fazer a zona do euro sair da estagnação com risco deflacionário.

Segundo Rogoff, mesmo sendo um passo importante, “é claro que não é suficiente, olhe o que o Japão fez e não foi suficiente; a zona do euro vai acabar fazendo mais”.

Rogoff é ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e autor, junto com Carmen Reinhart, de “Desta vez é diferente – 600 anos de folia financeira”, um dos livros de maior sucesso na esteira da crise global de 2008 e 2009. Ele conversou com a Agência Estado no Fórum Econômico Mundial em Davos, logo após o anúncio do BCE.

“Foi um pouco melhor do que eu esperava, e acho que eles realmente foram um pouco além das expectativas de mercado – em geral eles fazem o contrário”, disse Rogoff, referindo-se ao tamanho do programa: compra de títulos, incluindo papéis de governos da zona do euro, ao ritmo de 60 bilhões de euros por mês de março de 2015 até o final de setembro de 2016.

“É o começo de uma longa jornada. Isso não vai resolver os problemas da Europa e nem mesmo vai resolver a questão de elevar as expectativas de inflação até 2%. Eles têm que fazer muito mais. Mas era o máximo que eles poderiam caminhar com um passo só”, comentou Rogoff.

O economista acha que o programa vai funcionar mais pelo canal do câmbio (depreciando o euro, o que aumenta a competitividade internacional dos países da moeda única), com impacto bem pequeno na inflação, que está muito baixa.

“Se o Banco Central Europeu (BCE) não tivesse feito isso, nós talvez víssemos a taxa de juros de países da periferia disparar, porque subitamente as pessoas iriam se perguntar se de fato o Draghi (presidente do BCE)  iria fazer qualquer coisa que fosse preciso”, acrescentou Rogoff.

Para ele, as taxas de juros dos países da periferia do euro despencaram em antecipação ao QE: “O fato de que a Espanha está tomando emprestado por dez anos a uma taxa inferior à dos Estados Unidos é absurdo, mas é parte desta política”.

Fernando Dantas (fernando.dantas@estadao.com)

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