Serviços um pouco melhores, mas não chegam a animar

Resultado de maio da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE veio um pouco acima do esperado, mas analistas consideram que retomada depende ainda de efeitos da reforma da Previdência na confiança e novo ciclo de baixa da Selic.

Fernando Dantas

15 de julho de 2019 | 14h38

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de maio deu um pequeno alento no festival de más notícias sobre atividade econômica e revisões para baixo das projeções do PIB em 2019.

Apesar de se esperar um crescimento mais avantajado em relação a maio de 2018 (por causa da baixa base de comparação, em função da greve dos caminhoneiros), o avanço do volume de serviços prestados no País, de 4,8%, ficou acima não só da mediana das projeções (3,5%), mas também do teto de 4,6%. Na comparação com abril na série dessazonalizada, os serviços ficaram estáveis, mas acima da mediana das previsões, de -0,3%.

Luana Pimentel, economista do FGV/Ibre, nota que os serviços medidos pela PMS são um dos segmentos que mais demoraram para se recuperar após a grande recessão de 2014-2016. A taxa acumulada em 12 meses mergulhou no território negativo em junho de 2015 e lá permaneceu até dezembro de 2018, quando zerou, tendo começado a crescer a partir de janeiro de 2019. Nos 12 meses até maio deste ano, os serviços da PMS cresceram 1,1%.

Quatro das grandes categorias dos serviços cresceram no acumulado em 12 meses até maio: serviços de informação e comunicação; serviços prestados às famílias; outros serviços; e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios.

O problema reside nos serviços profissionais, administrativos e complementares, que entraram no negativo no acumulado em 12 meses no início de 2015 e lá ainda estão, registrando recuo de 0,3% no ano até maio.

“Basicamente, esses são os serviços prestados por empresas para empresas”, explica Luana.

Dentro dessa categoria os serviços “técnico-profissionais” abrangem áreas mais sofisticadas, como engenharia, e o mau desempenho está muito ligado ao baixo investimento e à lentidão da retomada econômica. Já os “administrativos e complementares” incluem serviços como limpeza e segurança, “que tendem a ser aqueles que sofrem cortes em períodos de dificuldades financeiras das empresas”, como acrescenta a economista.

Na comparação de maio deste ano conta o mesmo mês do ano passado, os serviços profissionais, administrativos e complementares foram a categoria que menos cresceu, com 1,8%, bem abaixo dos 4,8% dos serviços da PMS como um todo. Os serviços técnico-profissionais recuaram 1,4% e os administrativos e complementares cresceram 3%.

Um economista de uma gestora de recursos no Rio nota ainda uma certa discrepância entre o dado relativamente forte do crescimento dos serviços prestados às famílias, de 6,5% em maio ante o mesmo mês de 2018 (sendo que abril e março registraram alta de, respectivamente, 3,6% e 4,6% na mesma base de comparação), e outros indicadores de consumo – como varejo, que parecem estar desacelerando na margem.

Numa visão mais ampla, a leitura um pouco melhor da PMS em maio não parece ter motivado os analistas a mudar suas projeções de crescimento do PIB para o ano. É ainda muito pouco, e o fato é que o dado dessazonalizado indica estabilidade em relação a abril.

A expectativa é de que a economia acelere no segundo semestre, mas em função mais do que se prevê do que do que já se vê. Precisamente, a aposta geral é que o ganho de confiança com a provável aprovação de uma boa reforma da Previdência e um novo ciclo de queda da Selic impulsionem a economia a partir de agora. A intensidade desses efeitos, entretanto, é uma das grandes dúvidas que divide o mercado neste momento.

Fernando Dantas é colunista do Broadcast

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 12/7/19, sexta-feira.