Sinais melhores na indústria

Produção industrial no último mês de 2016 registrou recuperação.

Fernando Dantas

08 de fevereiro de 2017 | 00h05

O mercado espera um resultado forte, de 2,65% conforme mediana de levantamento Projeções Broadcast na comparação com o mês anterior, para a produção industrial (PIM-PF) de dezembro, a ser divulgada amanhã. (1/2/17, quarta-feira; o resultado efetivo foi de 2,3%.

Jankiel Santos, economista-chefe do Haitong Bank, tem projeção de 2,9%. Para ele, este previsto avanço da indústria em dezembro, combinado com os números positivos de confiança que vêm sendo divulgados, sinaliza um quadro não de recuperação, mas de que “a gente pode ter batido no fundo do poço; não é que estejamos entrando numa fase de boas notícias, mas sim possivelmente de ausência de novas más notícias”.

Hoje, foi divulgado que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) de janeiro da FGV subiu 4,3 pontos, atingindo 89 pontos, nível mais alto desde maio de 2014. A melhora se distribuiu entre o Índice de Expectativas, que subiu 4,7 pontos, e o da Situação Atual, com alta de 3,8 pontos. Também hoje foi divulgada elevação em janeiro do Índice de Confiança dos Serviços (ICI) da FGV, e, anteriormente, saíram números também positivos dos índices da construção, do consumidor e do comércio.

Em termos da indústria, Santos nota que sua projeção de 2,9% leva em conta os bons números da indústria automobilística. Porém, mesmo que este setor seja excluído, ainda assim ele chega a uma previsão entre 2,3% a 2,5%. O economista alerta que este bom número de dezembro, caso confirmado, “ainda não configura uma tendência, e pode ser uma flutuação como as que temos visto nos últimos meses”.

A mesma cautela pode ser encontrada na análise de Solange Srour, economista-chefe da gestora ARX. “Esses indicadores de confiança estão em linha com nossa expectativa de que o PIB do primeiro trimestre seja ligeiramente positivo, mas acho cedo para se dizer que é uma retomada”, ela diz, alertando para o fato de que a melhora da confiança no terceiro trimestre foi seguida pela decepção com a atividade no quarto.

Em relação à produção industrial de dezembro a ser divulgada amanhã, a projeção da ARX é de uma alta de 3% na comparação dessazonalizada com novembro. Para Solange, um número forte da PIM-PF apenas confirma o cenário de estabilização, e o risco seria mais uma decepção: “Se (a produção industrial) vier abaixo de 1,5%, vai ser muita frustração”, ela diz.

Júlio Mereb, economista do Ibre/FGV, acha que os indicadores de confiança e o resultado da produção industrial de dezembro (a projeção do Ibre é de 3,2%, na comparação dessazonalizada com novembro) sinalizam “um espaço para uma recuperação gradual e lenta”. Ele nota que a produção de veículos surpreendeu positivamente em novembro e dezembro, mas não foi acompanhada por um movimento positivo equivalente das vendas do setor.

“É difícil dizer se estamos numa reversão ou se continuamos num cenário errático”, ele diz, refletindo a dúvida de grande parte dos analistas. (fernando.dantas@estadao.com)

Fernando Dantas e colunista do Broadcast

Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 31/1/17, terça-feira.

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