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Temor do racionamento e dos seus impactos

Fernando Dantas

25 de abril de 2014 | 18h37

O nervosismo em relação à possibilidade de racionamento de eletricidade no Brasil e seus impactos na economia continua a aumentar, e está refletido em documentos de bancos e consultorias.

Segundo relatório do grupo Eurasia, de 16 de abril, é improvável que haja um racionamento antes das eleições de outubro, e a presidente Dilma Rousseff deve tomar medidas modestas de economia energética nas próximas semanas. Isto, no entanto, “será modesto demais para efetivamente diminuir o risco de um racionamento mais severo de energia em 2015”, prossegue o documento.

Já um relatório do UBS de 14 de março (“Brasil: o racionamento de energia poderia levar à estagflação”) estima que o PIB poderia cair de 0,7% a 1,5% no caso de um racionamento de 10% de energia durante 12 meses. Num novo relatório, de 14 de abril, o UBS nota que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estimava que os reservatórios do Sudeste (e Centro-Oeste) teriam 37% da sua capacidade no fim de abril, abaixo do limite de 40% a 43% nesta data que evitaria o racionamento.

Segundo este segundo relatório do UBS, “a imprensa já noticiou conversas do governo federal com consumidores intensivos de energia para reduzir a demanda, mas na nossa visão o governo não vai reconhecer publicamente os riscos de falta de energia ou atacar o problema até que os impactos na economia se tornem desastrosos demais, por medo de uma reação popular negativa antes das eleições de outubro”.

Um documento do HSBC de 15 de abril considera que o risco de racionamento está aumentando, notando também a previsão da ONS de reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste a 36,5% de capacidade no final de abril, comparado à média de 82% na mesma data nos últimos dez anos.

Segundo o HSBC, “apesar do risco crescente, nós atribuímos uma probabilidade próxima de zero de que Dilma anuncie um racionamento de eletricidade antes das eleições de outubro”. O relatório explica que “a razão principal é a experiência do racionamento de 2001, que provocou uma queda de 16 pontos porcentuais na popularidade do presidente (Fernando Henrique Cardoso) em cerca de dois meses”.

A última previsão da ONS é de 38,3% nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste no final de abril, com uma ligeira melhora em relação aos números citados nos relatórios do UBS e do HBSC, mas que não muda fundamentalmente o cenário.

Dessa forma, fica claro que vai se formando uma forte corrente de expectativas no mercado pela qual a probabilidade de um racionamento é muito alta. De acordo com a mesma visão, o racionamento não ocorrerá antes das eleições, por motivos políticos óbvios, mas este adiamento pode tornar ainda mais frágil a situação econômica em 2015, primeiro ano do governo que for eleito.

“A crise de energia ainda é gerenciável no curto prazo, mas ao custo de tornar 2015 potencialmente muito mais difícil”, diz o relatório do grupo Eurasia.

Os especialistas ouvidos pela consultoria estimam que o governo possa obter uma redução de 4% a 5% no consumo permitindo que empresas eletrointensivas vendam no mercado energia economizada com cortes de produção; reduzindo a voltagem em linhas de transmissão; e com uma campanha de racionalização. Mas o Eurasia considera que esse esforço seria insuficiente para evitar o racionamento, que exigiria uma redução de consumo de pelo menos 8% entre maio e novembro.

Para a consultoria, o custo fiscal do uso de energia térmica e da ajuda ao setor elétrico, somado à perda de arrecadação que o racionamento traria, tornará mais difícil a realização de um superávit primário em 2015 consistente com o declínio ou estabilidade da dívida pública.

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast (fernando.dantas@estadao.com)

Esta coluna foi publicada na AE-News Broadcast na quinta-feira, 24/4/14.

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