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Visões da Selic

Relatório Trimestral de Inflação de junho dá margem a diferentes projeções sobre a trajetória da taxa básica de juros.

Fernando Dantas

25 de junho de 2015 | 16h59

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, divulgado na quarta-feira (24/6/15), ainda deixou margem para uma amplitude razoável de apostas sobre até onde irá o ciclo de alta da Selic.

Parte do mercado deve tender para a expectativa de mais 0,75 ponto porcentual – o que levaria a taxa básica para 14,5%. Esta projeção é a que o economista e consultor Alexandre Schwartman, ex-diretor do BC, faz em relatório divulgado esta manhã. Ele nota que, para além da muito comentada redução de 4,9% para 4,8% da projeção do IPCA de 2016 no cenário de referência, o cenário de mercado – com hipótese de Selic subindo até 14% e ficando neste patamar até o início de 2016; e de câmbio chegando a R$ 3,30 no final de 2016 – produz uma inflação de 5,1% no modelo do BC, o que não se mexeu desde o último RTI.

“As projeções que acabam de ser divulgadas deixam claro que a taxa Selic a 13,75% ou a 14% não é suficiente para cumprir a promessa (de trazer o IPCA para 4,5% em 2016). Em 14,5%, contundo, ela (Selic) pode convencer os modelos do BC de que a convergência aconteceria”, escreve Schwartsman.

A interpretação do Departamento Econômico do Itaú-Unibanco é um pouco diferente. Segundo o economista Felipe Monteiro de Salles, o RTI de junho indica que o Copom fará mais uma alta de 0,5 ponto porcentual da Selic na reunião de 28 e 29 de julho e deve parar em 14,25%.

Como diz Salles, o debate agora está entrando no “detalhe do detalhe”, e a equipe do Itaú, analisando o RTI e o gráfico de dispersão de projeções, acha provável que a projeção de 4,8% em 2016 do cenário de referência seja, na verdade, o arredondamento de um número próximo a 4,75%.

Pelas estimativas do Itaú-Unibanco, uma Selic de 14,25% seria suficiente para a projeção do IPCA no modelo do BC deslocar-se de 4,75% para 4,6%, “o que já pode ser considerado em torno do centro da meta”.

Uma razão para não ir além disso, segundo Salles, seria que elevações adicionais poderiam jogar a inflação para baixo do centro da meta em 2017. Ele nota que as projeções do BC já indicam IPCA em 4,5% nos 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2017, e em 4,7% no segundo trimestre de 2017. Adicionalmente, o BC prevê contração do PIB de 1,1% em 2015, comparado ao recuo de 1,7% da projeção do Itaú-Unibanco. Se o BC caminhar na direção do reconhecimento de que o tombo será maior, isto será incorporado ao seu modelo e as projeções de inflação podem cair.

Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, disse em entrevista a Francisco Carlos de Assis, da Broadcast, que considera que “o RTI descarta categoricamente um “overkill” (exagero) de juros e sugere que estamos nos caminhando para o fim do ciclo de aperto”. Ele acha que a piora da atividade e a “robusta” convergência das expectativas inflacionárias no cenário mais longo permite que o BC construa uma narrativa que pavimente o fim do ciclo na reunião de julho. “Com base no RTI, o cenário de aumento de 0,25% no próximo Copom me parece muito improvável, ainda que não totalmente impossível”, ele disse.

No outro extremo, Alexandre Ázara, economista-chefe da gestora Modal, prevê que a Selic deve chegar a 14,75%, com duas altas de 0,5 nas reuniões do Copom de julho e de 1º e 2 de setembro.

De início, ele nota que a projeção de 4,8% para o IPCA no modelo de referência, veio “um pouquinho acima” do que o mercado esperava, 4,7%. Ázara observa em seguida que a reestimação no RTI do impacto do juro na inflação, com algo como 0,25 a 0,35 de queda para cada 1% de elevação, indicaria que a Selic deveria subir de 1 a 1,25 ponto porcentual para baixar o IPCA de 2016 para 4,5% em 2016 no cenário de referência. Como a projeção do BC de queda do PIB em 2015 está otimista, ele acha que a calibragem seria de mais um ponto porcentual ou “no mínimo” de 0,75, o que levaria a Selic a 14,5%. (fernando.dantas@estadao.com)

Fernando Dantas é jornalista da Broadcast

Esta coluna foi publicada pela AE-News/Broadcast em 24/6/15, quarta-feira.

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