‘Mercado torce por Aécio, mas não assume por medo de Dilma’, diz Financial Times

‘Mercado torce por Aécio, mas não assume por medo de Dilma’, diz Financial Times

Diante da disputa bastante acirrada nos últimos dias, jornal inglês cita que a campanha eleitoral deixou de tratar de propostas e passou à esfera dos ataques

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

24 de outubro de 2014 | 10h36

Dilma e Aécio: debate saiu do campo das propostas para ser dominado por ataques mútuos (Fotos: Reuters)

Dilma e Aécio: debate saiu do campo das propostas para ser dominado por ataques mútuos (Fotos: Reuters)

LONDRES – O jornal britânico Financial Times publica reportagem na edição impressa desta sexta-feira em que destaca o temor de muitos eleitores brasileiros ligados ao mercado financeiro e ao setor empresarial de declarar o voto.

Apesar de o grupo apoiar majoritariamente o candidato Aécio Neves (PSDB), poucos anunciam a opção publicamente por temer reações do governo Dilma Rousseff (PT) e das empresas estatais.

“Ainda que muitos, de investidores a altos executivos, apoiem o candidato da oposição pró-mercado, poucos se atrevem a tornar pública a sua posição por temer perturbar o Partido dos Trabalhadores e ferir seu próprio negócio”, diz a reportagem.

Um dos entrevistados explica que a opção pelo discurso mais discreto acontece porque “o governo tem tentáculos por toda a economia”. Esse entrevistado que é executivo de um banco internacional em São Paulo diz que eleitores evitam declarar o voto para não “tornar a vida muito difícil”.

Entre os investidores e empresários, as reclamações vão da estagnação do crescimento ao intervencionismo passando pela gestão da maior empresa brasileira, a Petrobras, e a alta da inflação.

O FT nota, porém, que as demandas da população, em especial da nova classe média, são um pouco distintas. “Estão procurando um líder para retomar o crescimento e também para lidar com eficiência com transporte público, saúde e educação”.

Diante da disputa bastante acirrada nos últimos dias, o FT cita que a campanha eleitoral deixou de tratar de propostas e passou à esfera dos ataques. “A campanha se degenerou em ataques pessoais com ambos os lados acusando o outro de ofensas que vão do alcoolismo ao nazismo”, diz o texto.

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