Após visitar Brasil, gestor de US$ 3 bi quer investir mais no País

Após visitar Brasil, gestor de US$ 3 bi quer investir mais no País

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

06 de março de 2015 | 14h36

LONDRES – Enquanto grandes fundos têm reduzido apostas no Brasil, um famoso gestor especializado em mercados emergentes diz que está “um pouco mais otimista” do que estava há seis meses e procura ativos para aumentar a posição no País. Após voltar de uma recente viagem ao Brasil e desfrutar até do Carnaval no Rio de Janeiro, o presidente-executivo da Franklin Templeton Emerging Markets, Mark Mobius, diz olhar para empresas brasileiras “de classe mundial que estavam muito caras” com pouca dívida. Ele cita o setor bancário como exemplo. A gestora têm cerca de US$ 3 bilhões investidos em emergentes.

É como o falecido Sir John Templeton dizia: ‘Comprar quando todos os outros estão vendendo desesperadamente e vender quando estão comprando exige grande força, mas paga as melhores recompensas’”

“Minha equipe e eu viajamos ao Brasil em fevereiro para tomar pulso do ambiente empresarial e econômico. Também tivemos a oportunidade de desfrutar de algumas festividades pós-trabalho no Carnaval, onde pudemos ver o estado de espírito das pessoas”, diz Mobius em texto enviado para os clientes da gestora. “Tenho o prazer de dizer que, enquanto o Brasil certamente ainda tem problemas para resolver, eu estou um pouco mais otimista com as perspectivas de investimento do que estava há seis meses”, diz.

Mobius defende uma visão de longo prazo para o Brasil e argumenta que os problemas de corrupção na Petrobras devem criar um ambiente de governança mais transparente e adequado para as estatais nos próximos anos. “Isso significa que podemos ver além dos choques de mercado do curto prazo e nos concentrar nas empresas que acreditamos que irão sobreviver e prosperar no longo prazo”.

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Deu samba. Mobius diz que está mais otimista / Divulgação

Sobre as contas públicas, Mobius admite que teve ceticismo com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mas as medidas anunciadas, como a alta de impostos e a eliminação de subsídios, o encorajaram. “Também acho que mais cortes de gastos e um clima mais favorável às empresas são importantes. Em minha opinião, as políticas que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso adotou durante seu mandato, incluindo a privatização de estatais, são um bom modelo para Dilma Rousseff seguir agora”. Ele não cita a crise política e as medidas que têm de tramitar no Congresso.

Trecho de reportagem publicada no Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado

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