‘Banco do Brics mostra que emergentes querem ir além do discurso’

‘Banco do Brics mostra que emergentes querem ir além do discurso’

Jornal inglês Financial Times publica editorial com elogios à iniciativa do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul de criar um banco de desenvolvimento próprio

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

21 de julho de 2014 | 09h54

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O jornal britânico Financial Times dedica editorial na edição desta segunda-feira, 21, em que elogia a iniciativa dos grandes países emergentes em criar novos organismos como o banco de desenvolvimento e o fundo de reservas mútuo.

“Os países do BRICS querem fazer algo além do discurso”, diz o texto. Apesar disso, o jornal questiona se a intenção do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul é criar uma insituição concorrente ou complementar às já estabelecidas – como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Durante a reunião na semana passada em Fortaleza, no Brasil, um item incomum de substância surgiu dos discursos retóricos sobre a solidariedade entre as potências emergentes do mundo.

Os países do BRICS anunciaram seu próprio banco de desenvolvimento”, destaca o editorial. “Também anunciaram o acordo de US$ 100 bilhões de financiamento de emergência concebido para ajudar países emergentes a lidar com choques externos”, completa o texto, ao classificar o plano de “contrapartida interessante”.

Apesar do tom elogioso, o FT questiona se a intenção do BRICS é “complementar ou competir” com instituições já estabelecidas, como o FMI e Banco Mundial.

Para o jornal britânico, apesar da retórica, as novas instituições devem aparecer como um complemento ao conjunto de instituições multilaterais já existentes.

“A história e a realidade política, no entanto, sugerem que eles vão perder a coragem e isso vai acabar como um complemento e não substituto”.

O FT nota ainda que a criação das novas instituições deverá exigir o alinhamento das principais políticas econômicas dos grandes emergentes. “Os países do BRICS têm abordagens muito diferentes entre si para a política fiscal, desregulamentação financeira e gestão macroeconômica. Criar novas instituições exigirá do BRICS uma abordagem consistente e semelhante. Isso não foi feito até agora”, diz o texto do FT.

“Os anúncios da última semana mostram pelo menos que os países do BRICS querem fazer algo além do discurso. Mas eles ainda não revelaram como vão agir”, completa o texto.

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