Brasil está entre os líderes em piora de previsões econômicas

Estudo com 62 nações mostra que a expectativa média de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2014 caiu pela metade: de 3,42% há um ano para 1,61% atualmente

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

16 de junho de 2014 | 13h33

LONDRES – O Brasil está no grupo dos dez países que mais sofreram com a piora das previsões do mercado financeiro para o crescimento econômico neste ano.

Estudo com 62 nações feito pela consultoria britânica Consensus Economics mostra que a expectativa média de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2014 caiu pela metade: de 3,42% há um ano para 1,61% atualmente.

Por outro lado, nove dos dez países que mais registraram melhora dos prognósticos são europeus. O Reino Unido lidera. 

Os últimos trimestres têm gerado frustração para os economistas. Diante da inflação que resiste em desacelerar mesmo com o aperto nos juros, os números relacionados à atividade econômica brasileira decepcionaram mês após mês. Com o ritmo aquém do esperado, instituições financeiras e consultorias revisaram para baixo suas projeções para o País em um dos movimentos mais acentuados no mundo.

Dos 62 países acompanhados pela Consensus Economics, o Brasil ficou com o 8º pior lugar no ranking de altas e baixas das projeções para o crescimento da economia em 2014. Em um ano – entre 10 de junho de 2013 e a mesma data de 2014 – a expectativa média de grandes instituições financeiras e consultorias para o crescimento do Brasil caiu pela metade e atualmente está 1,81 ponto porcentual menor que a vista há 12 meses.

Ao comparar a previsão de crescimento nominal, a pesquisa mostra que todos os dez países com as maiores quedas são emergentes. A lista é encabeçada pela Ucrânia que, diante da tensão geopolítica, viu a estimativa média cair de um crescimento de 2,96% para retração de 4,36%.

Em seguida, estão as vizinhas Venezuela e Argentina. Em ambos os casos, havia expectativa de crescimento próximo de 2% e agora o número mostra retração de pouco mais de 1%. A lista também tem Tailândia, Rússia, Turquia, Estônia, Chile e Croácia, além do Brasil.

Europeus. Do lado de cima do ranking, estão vários países europeus. O país que mais surpreendeu economistas é o Reino Unido, cuja previsão de crescimento em 2014 quase dobrou ao passar de 1,65% para 2,96% em um ano. Em seguida, aparecem países da periferia da Europa que, apesar da persistência dos efeitos da crise, parecem melhorar: Hungria (de 1,34% para 2,57%), Grécia (de -0,95% para 0,05%), Portugal (de 0,05% para 1,02%) e Espanha (de
0,28% para 1,03%).

Polônia, Romênia, Suíça, Nova Zelândia – o único não europeu – e República Checa completam a lista com os dez melhores desempenhos.

Entre as maiores economias do mundo, a previsão para a China caiu cerca de meio ponto, ao passar de 7,82% para 7,30%. A previsão de expansão da atividade nos Estados Unidos também caiu ligeiramente e passou de 2,73% para 2,37%.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.