Custo da Petrobras desanima até Chávez, o anti-capitalista, diz FT

Jornal publica análise de uma página sobre denúncias na Petrobras e diz que casos escancararam disputa eleitoral

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

11 de agosto de 2014 | 13h03

O jornal britânico Financial Times publica longa análise sobre as denúncias de corrupção e uso político da Petrobras. Com o título “Asfaltada de corrupção”, o texto enumera denúncias contra a estatal e diz que as acusações “mancharam a reputação da presidente Dilma Rousseff e escancararam a disputa eleitoral”. Para o FT, os custos crescentes da Petrobras “desanimaram até mesmo o anti-capitalista Hugo Chávez”.

chavezlula.jpg
50/50. Intenção era que Venezuela pagasse metade de refinaria / Reuters

A análise diz que “os brasileiros estão horrorizados com as acusações de que os criminosos se infiltraram na Petrobras”. O texto cita diversos casos que levantaram suspeita. Um dos exemplos é a refinaria de Abreu e Lima, projeto conjunto da brasileira e da venezuelana PDVSA. “Em 2006, quando começou a construção do projeto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antecessor e mentor de Dilma Rousseff, foi fotografado com o presidente venezuelano Hugo Chávez apertando as mãos no local”, descreve o jornal.

O projeto era criar uma joint venture entre as duas estatais sul-americanas em Pernambuco. “Mas Caracas nunca colocou um centavo: até mesmo o anti-capitalista Chávez desanimou com os custos crescentes, fez piada um ex-executivo da Petrobras”, diz o jornal britânico.

Abreulima.jpg
Vezes 8. Preço de Abreu e Lima saltou de US$ 2,5 bi para US$ 20 bi / Divulgação

Em Abreu e Lima, o orçamento que teria afastado os venezuelanos saltou de US$ 2,5 bilhões para US$ 20 bilhões. A nova cifra representa custo de US$ 87 mil por barril refinado, diz o jornal britânico. “Isso torna o projeto um dos mais caros já construídos. O custo médio é entre US$ 13 mil e US$ 39 mil, de acordo com estimativa do Credit Suisse”, diz o FT. Outro caso explorado pelo jornal é o que envolve o doleiro Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.