Gol quer voar para Boston, Havana e Lagos, na Nigéria

Gol quer voar para Boston, Havana e Lagos, na Nigéria

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

13 de junho de 2013 | 11h19

A companhia aérea Gol quer voar para mais longe. Boston, nos Estados Unidos, Havana, em Cuba, e Lagos, na Nigéria, devem ser as primeiras cidades atendidas. O plano, porém, não prevê a compra de um novo modelo de avião e a empresa usará as aeronaves já conhecidas dos passageiros que voam dentro do Brasil. Então, para conseguir chegar aos novos destinos com os atuais aviões, será preciso fazer uma parada no meio do caminho, encher o tanque e seguir viagem até os novos destinos.

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Escala. Gol chegará mais longe, mas vai parar para abastecer

Após a experiência inicial com as rotas para Miami e Orlando, nos Estados Unidos, a Gol quer reforçar a presença internacional. O plano foi revelado esta semana por um executivo da empresa a uma consultoria internacional que fornece análises e relatórios para investidores ao redor do planeta, a Capa Centre for Aviation, empresa com forte atuação na Europa e Ásia.

Desde a criação da Gol há mais de uma década, uma das características da empresa é a frota padronizada. Basicamente, a companhia usa um único modelo de avião para economizar em despesas como peças de reposição e treinamento de pilotos. Para não fugir dessa regra, a companhia usará os mesmos Boeing 737-800 NG para chegar aos novos destinos. Na média, esse modelo consegue voar até 5.500 quilômetros sem parar para abastecer. Os novos destinos, porém, são mais distantes: Boston, por exemplo, fica a 8.870 quilômetros de São Paulo. Por isso, será necessário parar no meio do caminho.

Para o passageiro, essa parada representa alguns minutos a mais na viagem. O trecho entre Guarulhos e Orlando, por exemplo, dura em média 8h50 no voo direto da TAM. Na Gol, a mesma viagem leva em média 10h50. São duas horas de diferença. O tamanho do avião também é bem distinto: enquanto os voos da TAM para Miami transportam até 350 passageiros, o modelo usado pela Gol tem capacidade para menos de 200 pessoas.

Nas rotas para os EUA e Cuba, a parada será no aeroporto Santo Domingo, na República Dominicana. A localização dessa parada, inclusive, é considerada estratégica para os planos da Gol: a partir de Santo Domingo, é possível chegar – usando o avião padrão da companhia – a praticamente todas as cidades dos EUA, boa parte do Canadá e todo o México e Caribe. Ao mesmo tempo, ao sul, os aviões da Gol chegam a praticamente toda a América do Sul. Será um grande centro de voos da Gol, o chamado “hub”, diz a consultoria. No mapa abaixo, a área mais clara mostra o alcance dos aviões da Gol a partir de Santo Domingo.

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Américas. Alcance dos aviões da Gol a partir de Santo Domingo 

Na estreia para a África, o plano é sair de São Paulo ou Rio, parar no Recife e cruzar o Atlântico até a Nigéria. O novo voo poderia começar ainda em 2013. A consultoria Capa Centre, porém, fez ressalvas à estratégia, especialmente para a África. “A Nigéria não é um mercado tão grande para o Brasil, talvez nem suficiente para lotar um 737”, alertou . “O serviço da Gol pode não ser bem recebido pelos passageiros a negócios em um voo longo como São Paulo-Recife-Lagos”.

Procurada, a Gol informou via assessoria de imprensa que “estuda a possibilidade de uma nova rota partindo do Brasil com destino à Nigéria”, sem detalhar os aeroportos de origem e destino. Sobre os demais voos para Boston e Havana, a empresa não nega que estuda os novos destinos e informou que “não se manifesta” sobre o tema.

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Planos. Rotas para Boston, nos EUA, e Lagos, na Nigéria.

 

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