Política monetária, produtividade, indie rock e folk

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

29 de agosto de 2013 | 15h28

Mark Carney é o presidente do Banco Central da Inglaterra e gosta de música. O canadense de 48 anos tem um feito no curriculum: ocupar a presidência de dois bancos centrais. Entre 2008 e o meio do ano, comandou o BC do Canadá e, desde julho, chefia o BC inglês. Atravessou o Atlântico para tentar fazer com que a economia britânica finalmente saia da crise.

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Carney. Banqueiros e roqueiros pela produtividade / Reuters

O trabalho não será fácil. Em crise desde 2008, milhares de empregos foram fechados e a economia inglesa só patina. Carney sabe disso e avisou que os juros seguirão baixos até, pelo menos, o desemprego cair dos atuais 7,8% para 7%. O que ele acha que deve acontecer em 2016. A previsão não agradou economistas, que apostam que a meta será alcançada antes – talvez em 2014. Ou seja, o juro baixo vai ter vida curta.

Esta semana, porém, o chefe do BC inglês avisou que não é só o desemprego que interessa. Em Nottingham, no centro do país, Carney disse que a produtividade dos trabalhadores vai crescer e, assim, a necessidade da contratação de novos empregados será reduzida e, por isso, o desemprego não reagirá tão rápido. Para explicar isso, fez malabarismos no discurso.

“A produtividade tem sido anêmica e, surpreendentemente, o Reino Unido não é hoje mais produtivo do que era em 2005, antes de Jake Bugg ganhar sua primeira guitarra”, disse, ao citar o cantor inglês de indie rock e folk de 19 anos. Dizem que Carney conheceu o som de Bugg em julho, quando ele abriu o show dos Rolling Stones para milhares de pessoas no Hyde Park, em Londres. Teria dito “muito bom” para o garoto que lançou o primeiro disco em outubro de 2012 e, semanas depois, chegou ao primeiro lugar dos álbuns mais vendidos na Inglaterra. Carney não disse para ninguém, mas bem pode ter pensado: “Isso sim é produtividade”.


Jake Bugg, Lightning Bolt – Direção: Michael Holyk

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