Com mais romenos e búlgaros, imigração cresce 43% no Reino Unido

Com mais romenos e búlgaros, imigração cresce 43% no Reino Unido

País recebeu 260 mil novos imigrantes no primeiro semestre. Sem as barreiras para migrar na União Europeia, romenos e búlgaros lideram o fenômeno e o registro das duas nacionalidades aumentou, respectivamente, 468% e 205%

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

27 de novembro de 2014 | 13h28

LONDRES – Economia que mais cresce na Europa, o Reino Unido atrai contingente cada vez maior em busca de emprego. Estimativa divulgada pelo governo britânico revela que a imigração líquida cresceu 43% em um ano, o que representa 260 mil estrangeiros a mais no primeiro semestre de 2014. Com a retirada das barreiras para migrar na União Europeia, romenos e búlgaros lideram o fenômeno e o registro das duas nacionalidades disparou 468% e 205%, respectivamente. O cenário explica o discurso cada vez mais anti-europeu do primeiro-ministro David Cameron.


Fila da direita. Restrições aos romenos e búlgaros caíram em janeiro / Reuters

Em 1º de janeiro de 2014, a última barreira para o livre trânsito de cidadãos da Romênia e Bulgária foi retirada e as duas nacionalidades passaram a ter direito pleno de migrar para o Reino Unido e outros países da União Europeia. A possibilidade atraiu cerca de 32 mil pessoas dos dois países, segundo cálculo do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês). Em igual período do ano passado, ingressaram 18 mil pessoas das duas nacionalidades.

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Empate. Imigração de europeus cresce cada vez mais / Reprodução ONS

 

Os dados do sistema de seguridade social, porém, mostram que o impacto é muito maior. De janeiro a setembro de 2014, foram registrados 103,9 mil novos romenos no sistema – universo 468% maior que o registrado em igual período do ano passado. No caso dos búlgaros, foram 31,5 mil novos cadastros – alta de 205%. Ao todo, os registros totais na seguridade britânica cresceram 12% entre estrangeiros, sendo uma alta de 20% entre cidadãos da União Europeia e queda de 8% entre não-europeus.

A migração de trabalhadores pouco qualificados dos países do leste europeu tem gerado desconforto na sociedade britânica. O fenômeno tem propagado o sentimento anti-europeu que encontra voz no direitista Partido Independente do Reino Unido (Ukip). A saída do Reino Unido da União Europeia é uma das bandeiras do grupo político que curiosamente foi o mais votado na eleição britânica para o Parlamento Europeu em Bruxelas. Em Londres, a Ukip tem apenas dois assentos dos 650 da Casa dos Comuns, o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil.

Ukip supporters canvassing for votes in Rochester. One supporter likened the EU to Hitler
Xô euro. Migração gera movimento anti-europeu / Reuters

 

Trecho de reportagem publicada no Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado

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