Ex-aliado acusa Rússia de intervenção para criar empresas ‘servas’ de Putin

Ex-aliado acusa Rússia de intervenção para criar empresas ‘servas’ de Putin

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

09 de outubro de 2014 | 11h27

Putin: críticas ao 'sistema feudal' no ambiente de negócios (Foto: Reuters)

Putin: críticas ao ‘sistema feudal’ no ambiente de negócios (Foto: Reuters)

LONDRES – O jornal britânico Financial Times publica entrevista com um empresário ex-aliado de Vladimir Putin em que afirma que a intervenção estatal na economia russa cresceu tanto a ponto de transformar empresas em ‘servas’ do governo.

A crise na Ucrânia acelerou esse processo e transformou a economia em um “sistema feudal”, onde empresários não têm mais controle sobre as empresas, diz o empresário. “O país está em estado de guerra. E empresas têm de viver sob as regras militares”.

Sergei Pugachev, que já foi muito próximo de Putin quando era conhecido como o banqueiro do Kremlin’, disse em entrevista ao FT que não há mais “intocáveis” na economia russa. O empresário perdeu dinheiro e poder após Moscou confiscar em 2012 suas companhias do setor naval que formavam um império multibilionário.

Pugachev disse ao FT que, em um cenário cada vez mais dominado pela presença de Vladimir Putin, o ambiente de negócios se transformou em “um sistema feudal”. “Hoje na Rússia não há propriedade privada. Existem apenas servos que pertencem a Putin”, disse, ao comentar que os empresários são atualmente apenas “proprietários nominais” dos negócios.

“Agora há Putin e há os oficiais que levam suas ordens – e todo o dinheiro gerado é colocado na balança de Putin”, disse ao FT. “O país está em estado de guerra. E, portanto, as grandes empresas não podem viver como antes. Elas têm de viver sob as regras militares”, completou.

A intervenção governamental na economia é um processo que acompanha o governo Vladimir Putin. O movimento, porém, foi acelerado recentemente em um período que coincide com a crise geopolítica na Ucrânia e as consequentes sanções ocidentais contra Moscou, disse Pugachev.

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