Com zika, setor do turismo na Europa teme cancelamento de viagens ao Brasil

Agentes de turismo na Europa temem onda de cancelamentos de viagens para o Brasil diante da propagação dos casos de zika vírus. Consultas de clientes já começaram e autoridades alertam para risco para grávidas e mulheres que pretendem engravidar

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

27 de janeiro de 2016 | 09h41

LONDRES – Imagens do Aedes aegypti e explicações sobre a microcefalia têm aparecido diariamente no noticiário das principais emissoras de televisão na Europa. A notícia sobre a propagação do zika vírus pelas Américas e os casos confirmados de europeus que contraíram a doença começa a repercutir na indústria de turismo. Há recomendação para que grávidas não viajem à América do Sul e crescem as consultas sobre cancelamento ou adiamento dos pacotes para o Brasil.


Vilão. Mosquito aparece cada vez mais na Europa / USDA Divulgação

“Já estamos recebendo consultas de vários clientes. E essas ligações só têm crescido com essa verdadeira tempestade de notícias sobre o vírus”, diz o diretor da agência de turismo Bespoke Brazil, Simon Williams. Essa tempestade de notícias tem ocorrido diariamente e o zika vírus tem recebido importância semelhante à gripe aviária. Nesta segunda, 25, por exemplo, a doença foi a principal notícia do telejornal mais assistid0 do Reino Unido, o “BBC News at Ten”.

Nas reportagens, são explicadas as recomendações das autoridades. “Se você estiver grávida, deveria considerar evitar áreas onde o zika vírus está sendo reportado”, avisa o governo britânico. A Austrália “sugere às mulheres que estão grávidas em qualquer mês ou que planejam ficar grávidas que considerem adiar a viagem”. Recomendação idêntica foi emitida nesta terça pela Alemanha. Na semana passada, os EUA emitiram aviso semelhante. Alertas sobre o zika também já foram emitidos pelo governo de Portugal e Espanha, entre outros.


Vítima. Setor teme que europeus cancelem viagem / Marcos de Paula, Estadão

A Associação dos Agentes de Viagens Britânicos (ABTA, na sigla em inglês) emitiu comunicado em que reafirma a sugestão das autoridades britânicas de evitar as regiões afetadas como o Brasil. A entidade recomenda ainda que mulheres que desejam ficar grávidas e que tenham viagem marcada para a região devem procurar um médico. Para as viajantes grávidas, a sugestão é adiar ou cancelar a viagem e, para isso, requerer um atestado médico para acionar o seguro viagem.

Assim, o setor do turismo teme que parte dos europeus com pacotes comprados para o carnaval ou Olimpíadas desistam da viagem. “Normalmente, europeus conhecem pouco a geografia do Brasil. Poucos sabem que Recife fica a mais de mil milhas do Rio de Janeiro. Temo que aconteça a mesma onda de cancelamentos que atingiu a África do Sul quando o ebola surgiu a milhares de quilômetros no oeste da África”, diz o diretor da Bespoke Brazil, agência especializada em pacotes de luxo para o Brasil e que já prevê cancelamentos nas próximas semanas.

No oeste de Londres, a Journey Latin atende europeus interessados em conhecer toda a região que mais sofre com o zika vírus. A empresa reconhece que a doença é perigosa e já tem prestado esclarecimentos aos clientes. “O vírus é perigoso para grávidas ou mulheres que desejam ficar grávidas durante a viagem. Com a maioria dos nossos clientes tem mais de 50 anos, isso pode ser a razão de eles não desistirem”, explica uma porta-voz da agência que, até agora, não registrou cancelamentos.

Trecho de reportagem publicada pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado

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