Sucessora de Botín fez filial britânica lucrar mais que a do Brasil

Sucessora de Botín fez filial britânica lucrar mais que a do Brasil

Tradicionalmente a maior fonte de lucros do grupo, o Brasil perdeu o título para a subsidiária do Reino Unido presidida por Ana Patricia Botín, nomeada hoje nova presidente após a morte do pai, Emilio Botín

Fernando Nakagawa / Twitter @fnakagawa

10 de setembro de 2014 | 16h57

Ana Patricia Botín, nova presidente do Santander (Foto: Efe)

Ana Patricia Botín, nova presidente do Santander (Foto: Efe)

LONDRES – A nova presidente do Banco Santander, Ana Patricia Botín, que vai suceder o pai, Emilio Botín, na presidência do Santander, foi uma das responsáveis pela expansão da instituição espanhola para a América Latina na década de 1990 e nos últimos anos fez uma gestão elogiada da filial Santander Reino Unido.

Um dos êxitos da executiva foi transformar a filial britânica na maior fonte de lucro do banco espanhol, à frente do Brasil, subsidiária que teve por vários anos o título de principal geradora de dividendos para Madri.

No fim de julho, o grupo espanhol anunciou uma verdadeira reviravolta nos resultados financeiros de suas filiais. Tradicionalmente a maior fonte de lucros do grupo, o Brasil perdeu o título exatamente para a subsidiária do Reino Unido presidida por Ana Patricia Botín, nomeada hoje nova presidente.

No primeiro semestre de 2014, o Brasil gerou 19% do lucro global e o Reino Unido, 20%. Um ano antes, o placar era diferente: brasileiros com 25% e britânicos com 13%.

A virada dos números é um dos resultados mais evidentes da gestão elogiada dela em Londres. Jason Napier, analista do setor bancário do Deutsche Bank, faz um balanço positivo dos quase quatro anos de administração de Ana Patricia. “O Santander UK tem divulgado ótimos números e é claro nos seus objetivos e indicadores”, resume.

Um dos grandes feitos da executiva foi introduzir um novo tipo de relacionamento com os clientes após o lançamento de uma conta que devolve em forma de bônus parte do dinheiro movimentado mensalmente.

De funcionamento relativamente simples, a iniciativa tem atraído clientes ao Santander e gerou alguma movimentação no segmento bancário de varejo no país. Napier diz que atualmente o Santander é o banco que mais credencia novos clientes e cartões de crédito em todo o Reino Unido. Foi isso permitiu o aumento do lucro da filial.

Analistas costumam elogiar a energia da executiva em meio à predominância masculina na City. Ana Patricia Botín é considerada pela imprensa local a segunda ou a terceira mulher mais poderosa do Reino Unido.

Críticos, porém, dizem que a executiva está sendo bem sucedida no esforço de ganhar mercado porque outros grandes concorrentes – como Royal Bank of Scotland, Barclays, Lloyds Bank e HSBC – ainda se recuperam do tombo levado na crise financeira e têm esse tema como prioridade. Ou seja, querem arrumar a casa antes de uma ação mais agressiva para atrair clientes.

Em um comunicado enviado após ser escolhida como substituta ao pai Emilio Botín, Ana Patricia agradece a confiança do conselho da instituição. “Neste momento tão difícil para mim e para minha família, agradeço a confiança do Conselho de Administração e assumo com total compromisso minhas novas responsabilidades.

Durante anos, tenho trabalhado no grupo Santander em diversos países e com diferentes responsabilidades e pude comprovar a enorme qualidade e dedicação das nossas equipes”, disse a executiva em nota.

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