Agência de publicidade cria ‘GPS’ para desligar máquinas que entrarem na Amazônia legal

Agência de publicidade cria ‘GPS’ para desligar máquinas que entrarem na Amazônia legal

Fernando Scheller

05 de setembro de 2019 | 14h58

Na esteira da forte alta no desmatamento e nas queimadas na Amazônia neste ano, a agência Akqa, que recebeu dois Grand Prix no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2019, promove uma campanha para engajar as fabricantes de maquinários usadas para derrubar árvores a se comprometerem com a preservação da Amazônia Legal.

Objetivo é que fabricantes assumam sua responsabilidade pelo desmatamento (Foto: Gabriela Biló/Estadão)

A partir da criação do “Código da Consciência”, que será aberto para uso das companhias, a agência pretende convencer os fabricantes de maquinários capazes de derrubar árvores – lista que inclui gigantes multinacionais como Caterpillar e Case/New Holland – a garantir que seus equipamentos não sejam usados para o desmatamento ilegal.

Segundo Diego Machado, cofundador da Akqa no Brasil, esse processo de contatos com as grandes empresas já está em curso. Segundo ele, há conversas avançadas, mas nenhum compromisso fechado até agora.

Para “incentivar” as companhias a aderirem ao projeto, a agência e as diversas ONGs parcerias da proposta, vão também pressionar grandes companhias que contratam maquinários a exigir a instalação do código nas máquinas por seus fornecedores.

O código, segundo Machado, primeiro envia um alerta de que o maquinário está sendo utilizado em uma área de floresta nativa. Caso o operador não deixa o lugar mesmo assim, a ideia é que o “GPS” possa desligar o equipamento automaticamente.

Campanha

A campanha que deu o pontapé inicial para o projeto é protagonizada pelo cacique Raoni, que ficou mundialmente famoso ao advogar pela proteção da Amazônia ao lado do cantor inglês Sting. No vídeo, ele mostra como é simples instalar o aparelho com o “GPS”, que será fornecido gratuitamente às companhias.

A campanha também incentiva as pessoas a pressionarem fabricantes e outras empresas a aderirem ao movimento. O projeto foi feito pensando especialmente na Amazônia, mas deve ganhar escala global, para proteger também outras reservas nativas ao redor do globo.

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