Brasileira AlmapBBDO é a ‘agência da década’ no festival Cannes Lions

bolsa

E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Brasileira AlmapBBDO é a ‘agência da década’ no festival Cannes Lions

Fernando Scheller

26 de junho de 2020 | 09h45

Em meio à crise gerada pela pandemia de coronavírus, que praticamente paralisou o setor de criatividade, o Brasil recebeu uma boa notícia: a agência brasileira AlmapBBDO recebeu o prêmio de “Agência da Década” do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade.

Luiz Sanches, presidente do conselho da AlmapBBDO (Foto: Alex Silva/Estadão)

O prêmio, concedido às agências e anunciantes com base nos resultados do festival entre 2010 e 2019, foi revelado na sexta-feira, 26, durante o Lions Live, versão online do evento realizada nesses tempos de covid-19. O Estadão é o representante oficial de Cannes Lions no Brasil.

Segundo o presidente do conselho de Cannes Lions, Philip Thomas, os prêmios para a década ajudam a compensar ao menos parcialmente a inédita interrupção da distribuição anual de Leões em mais de 30 categorias. A tradição será retomada em 2021, quando o festival retomará a programação normal.

Veja também: Assista a campanhas premiadas da Almap

A premiação da Almap não chegou a ser uma surpresa. A agência foi eleita três vezes agência do ano na última década – em 2010, 2011 e 2016. Na última terça-feira, também durante o Lions Live, a agência havia vencido o prêmio da década para a América Latina.

As agências que ficaram na segunda e terceira posições para a região latino-americana também são brasileiras: a Ogilvy Brasil e a VMLY&R. O resultado mostra a importância do Brasil para o festival – o País costuma ser o terceiro em total de premiações, atrás de Estados Unidos e Reino Unido.

Relevância

Uma evidência da relevância do Brasil – e principalmente da Almap – no festival foi a escolha do publicitário Marcello Serpa, ex-sócio da empresa, para receber o Lion de St. Mark, homenagem pelo “conjunto da obra” para o setor de criatividade, considerada uma espécie de “hall da fama” do festival. Ele foi, até agora, o único brasileiro a receber esse prêmio.

A Almap é conhecida pelo relacionamento de décadas com grandes clientes, entre eles a montadora Volkswagen – que está na agência há 60 anos, ainda antes de a empresa ter o nome atual – e as sandálias Havaianas. Na carteira atual da Almap ainda traz Gol Linhas Aéreas, O Boticário, Hering, Bradesco Seguros, cerveja Antarctica, Getty Images e WhatsApp.

O resultado de Leões da Almap se destaca pela consistência ao longo dos anos. A companhia ganhou pelo menos 12 Leões por ano ao longo da última década, à exceção de 2012 (quando angariou sete prêmios) e 2019 (quando trouxe cinco troféus para casa, em um desempenho considerado decepcionante pelo mercado publicitário).

Em 2016 e 2017, a Almap teve seus melhores desempenhos em total de prêmios, ganhando um total combinado de 44 Leões. Os resultados são suficiente para deixá-la bem à frente das demais agências brasileiras no festival.

Publicidade de resultado

Desde 2014 à frente da agência, o presidente do conselho da Almap, Luiz Sanches, atua na empresa há 26 anos. Presença constante nos principais júris de Cannes Lions, ele será presidente de uma categoria pela segunda vez em 2021, quando ficará à frente do time escolha em Outdoor (mídia externa).

Segundo o executivo, os resultados em Cannes da Almap se baseiam em uma crença principal sobre a função de uma agência de publicidade: “A gente acredita que a criatividade faz diferença nos resultados financeiros do nosso cliente.”

Trabalhando há mais de 20 anos com a Havaianas, por exemplo, a AlmapBBBO não só trouxe prêmios de Cannes para o Brasil, mas também participou da expansão da marca de sandálias da Alpargatas no mundo. “Com as artes de pôsteres para a Havaianas, ganhamos muitos prêmios. Mas era também um material exposto no ponto de venda. Se a pessoa saísse do Palácio dos Festivais e fosse a uma loja da Havaianas em Cannes, o material estaria lá.”

Com a redução dos orçamentos de produção para comerciais que inevitavelmente ocorrerá após a pandemia – afinal, as empresas terão problemas de caixa com a recessão que o mundo enfrentará este ano –, a criatividade vai ganhar ainda mais importância, na visão de Sanches. “Temos de celebrar a criatividade como um antídoto às dificuldades da pandemia. No caso do Bradesco Saúde, conseguimos fazer um filme de homenagem aos médicos com imagens de arquivo. E ficou lindo.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: