Após aquisição, Disney decide descartar marca ‘Fox’ e cria ’20th Century Studios’

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Após aquisição, Disney decide descartar marca ‘Fox’ e cria ’20th Century Studios’

Fernando Scheller

17 de janeiro de 2020 | 15h57

A Disney confirmou nesta sexta-feira, 17, que, a partir de agora, o lendário estúdio 20th Century Fox não terá mais o nome “Fox”. A partir de fevereiro, dois lançamentos já receberão os novos logos: 20th Century Studios para a linha de filmes principais e Searchlight (ex-Fox Searchlight) para os de arte. As logomarcas mudam pouco. Os grandes holofotes que caracterizam ambas serão mantidos.

‘Avatar’, um dos maiores sucessos da história da Fox

Conforme destacou o site The Hollywood Reporter, o estúdio 20th Century Fox teve origem em 1936 e também surgiu de uma fusão entre a Twentieth Century Pictures e a Fox Film Corporation.

Ao longo de sua história, a Fox produziu filmes como Avatar, Titanic, Esqueceram de Mim, Duro de Matar e Alien, além da série Star Wars. O estúdio estava nas mãos do empresário Rupert Murdoch desde meados dos anos 1980. Os funcionários do novo estúdio já foram avisados do renovado batismo.

Muita gente se pergunta em Hollywood se a Disney precisa realmente manter a Fox (ou, agora, 20th Century Studios) para lançar filmes para adultos, que poderia ser direcionada para subsidiárias da Disney que hoje andam meio dormentes, como a Touchstone.

A franquia Star Wars, talvez a mais lucrativa da história do cinema, já passou a ser lançada pelo selo Disney. No ano passado, a maior parte dos filmes que o estúdio herdara da Fox foram fracassos de bilheteria. Uma das exceções foi Ford vs. Ferrari, um sucesso internacional que obteve uma indicação ao Oscar de melhor filme na semana passada.

A Fox Searchlight, considerada uma das melhores divisões de filmes de menor orçamento do cinema, também seria descartável para a Disney. Apesar de prestigiada, a divisão gera receitas e resultados muito inferiores ao que a casa do Mickey Mouse está acostumada.

O ano de 2019, aliás, foi recorde para a Disney: sua arrecadação nas bilheterias globais foi de mais de US$ 11 bilhões, graças a êxitos como Frozen 2, O Rei Leão, Vingadores: Ultimato, Toy Story 4 e Star Wars – A Ascensão Skywalker. A biblioteca de filmes da ex-Fox também será útil para compor o recém-lançado serviço de streaming Disney+.

Sem polêmicas

Por trás da decisão, segundo reportagem do The New York Times, estaria a intenção da Disney de se distanciar de vez do império de Rupert Murdoch, magnata da mídia que vendeu o estúdio de cinema e TV – por mais de US$ 71 bilhões –, mas manteve a rede de TV Fox News, conhecida pelo apoio ao presidente americano, Donald Trump, e também os canais de esporte.

A ideia da Disney, ao deixar a Fox para trás, é distanciar o estúdio da era Murdoch. A emissora Fox News está no centro de um escândalo sexual envolvendo Roger Ailes, seu ex-presidente. O filme O Escândalo – que recebeu três indicações ao Oscar (atriz, atriz coadjuvante e maquiagem) e está em cartaz nos cinemas brasileiros – mostra os bastidores do caso. A situação já havia inspirado uma minissérie da rede Showtime em 2019.

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