Bancos e marcas de tecnologia se unem a varejistas para promoções na Black Friday

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Bancos e marcas de tecnologia se unem a varejistas para promoções na Black Friday

Fernando Scheller

25 de novembro de 2019 | 09h23

A Black Friday se estabeleceu como uma data importante do varejo brasileiro, mas marcas de serviços e que prestam serviços a empresas vêm tentando aproveitar a abertura do consumidor a ofertas para gerar novos negócios. Neste ano, gigantes como o banco Santander e as empresas de tecnologia Intel e Microsoft vão se unir a outras marcas – varejistas e indústrias que se relacionam diretamente com o cliente – em campanhas pensadas especialmente para o evento.

Estreante na Black Friday com uma campanha própria, a Intel vai colocar no ar uma iniciativa chamada Dia do Eu. A ideia, criada pela agência mcgerrybowen, é dizer ao consumidor que não tem nada de errado em usar a temporada de ofertas para trocar o próprio computador – em vez de gastar em um presente para outra pessoa.

A iniciativa começou na semana passada, mas vai ganhar força ao longo dos próximos dias, com ações online e também em outdoors. O conceito foi desenvolvido pela Intel, mas a campanha será compartilhada com a Microsoft, diz o diretor de marketing da Intel Brasil, Carlos Buarque. A parceria, já testada no início de 2019, faz sentido, pois a fabricante de processadores e a de sistemas operacionais têm objetivo comum: ampliar a venda de computadores no País.

Como as duas gigantes dependem da venda de PCs de outras marcas, a Intel alinhou uma estratégia para alertar o consumidor sobre as boas ofertas disponíveis nos dias do evento. Para isso, firmou parcerias tanto com as fabricantes – Asus, Acer, Samsung, Dell e Positivo, entre outras – quanto com varejistas como Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza e B2W (controladora de Submarino e Americanas.com). “Não teremos site próprio do Dia do Eu. A ideia é direcionar o cliente para os varejistas”, explica Buarque.

Na Black Friday de 2018, segundo a mcgerrybowen, os PCs foram a terceira maior categoria em receita de vendas, apesar de ficarem em oitavo lugar em volume. “É a prova do potencial do segmento na Black Friday”, ressalta Andrea Barrios, diretora de atendimento da agência. Ela diz que o planejamento para a campanha começou em fevereiro, a partir da análise de resultados da edição de 2018.

Embora não seja novato na Black Friday, o banco Santander também aposta nas parcerias para ganhar relevância. Segundo o diretor de marketing do Santander Brasil, Igor Puga, isso acontece porque é difícil fazer uma venda “puro sangue” de serviços financeiros – o assunto é considerado árido pelo consumidor. Por isso, o banco tentará se “plugar” a marcas de maior apelo.

Durante a semana passada, a estratégia do Santander foi atrelar suas ofertas – em áreas como seguros, investimentos, cartão de crédito e empréstimos – a vantagens em outras prestadoras de serviço, como Uber, SmartFit, LinkedIn e XBox. Ao fechar algum produto da instituição, o cliente ganhava cupons de desconto a serem usados nessas plataformas.

Igor Puga, diretor de marketing do Santander (Foto: André Freitas/Santander)

Nesta semana, diz Puga, o banco vai “invadir” a comunicação de outras marcas para informar suas ofertas. O Santander firmou parcerias com Claro, Via Varejo e Hyundai para “plugar” a venda de serviços financeiros a outros produtos.

No caso da operadora de telefonia, o consumidor ganha parcelamento em até 21 vezes se comprar com o cartão Santander. Na parceria com a montadora, o desconto no seguro é de 30% – isto é, caso o cliente escolher fechar com o banco.

Consciência. O consultor de varejo Jean Paul Rebetez, sócio da GS&Consult, diz que a união de comércio e serviços na data é positiva, pois permite uma oferta mais completa ao consumidor. O especialista ressalva, no entanto, que é importante que os descontos sejam reais e que representem uma vantagem clara para o cliente.

Do contrário, a estratégia pode virar um perigo para a reputação dos envolvidos. “O consumidor, até por causa da crise que o País viveu nos últimos anos, sabe muito bem quanto os produtos custam. Logo, ele vai decifrar de cara se uma oferta é ou não realmente vantajosa.”

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