Dona do Rock in Rio se reinventa para volta dos grandes shows em 2021

Dona do Rock in Rio se reinventa para volta dos grandes shows em 2021

Fernando Scheller

20 de julho de 2020 | 07h00

Nenhum setor depende tanto de aglomerações quanto o de grandes eventos. Uma das mais icônicas marcas de shows do Brasil – o Rock in Rio – se viu em uma situação difícil com o início da pandemia. Como não raramente o Rock in Rio reúne 100 mil pessoas por dia, pensar em retomada antes de uma vacina para a covid-19 é praticamente inviável. Por isso, a dona da marca de eventos resolveu se reinventar. E até está mudando de nome, de Grupo Artplan para Dreamers.

Rodolfo Medina: mudança de nome do grupo de Artplan para Dreamers (Foto: Dreamers)

Segundo Rodolfo Medina, presidente da holding, será uma oportunidade de diferenciar o grupo de um de seus principais negócios: a agência de propaganda Artplan. Ao total, são 12 empresas sob o guarda-chuva da Dreamers, entre vários negócios de comunicação e eventos, passando por um agregador de pontos de fidelidade.

O setor de turismo e eventos deve ser um dos últimos a se recuperar no pós-pandemia. Um estudo da Bain & Company, citado em reportagem do Estadão, mostra que os eventos estão no grupo de segmentos que será mais afetado pela crise, com queda forte da demanda e recuperação lenta. Neste grupo estão ainda viagens, cinemas, teatros, hotéis e restaurantes.

Com os grandes eventos presenciais cancelados – a edição do Rock in Rio de Lisboa, que ocorreria em junho, foi adiada em um ano –, a Dreamers vem buscando alternativas para gerar receita. Uma delas é o a abertura de uma rede de drive-ins, por meio de outra empresa da holding, a Dream Factory. “Vamos buscar alternativas intermediárias enquanto a situação não volta ao normal”, explica Medina. O projeto de drive-in terá patrocínio da BR Distribuidora e da Ame Digital e será aberto em cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

Segundo o empresário, não será apenas um espaço para exibição de filmes. “Estamos criando um lugar de entretenimento adaptado à nova realidade. Vai ter cinema, shows, transmissão de futebol e comédia stand-up.” Além disso, como tradicionalmente ocorre com o Rock in Rio, haverá espaço para as marcas fazerem ativações com o público. Já está definido que, no Rio, o drive-in será no Barra Shopping; em São Paulo, será no Pacaembu, onde até pouco tempo atrás funcionava um hospital de campanha.

Com o adiamento da edição do Rock in Rio em Lisboa, o grupo fará dois eventos no ano que vem, já que a edição carioca está marcada para setembro de 2021. A exemplo do que já vinha ocorrendo nas últimas edições, quando o grupo tinha uma parceria com o canal Multishow, da Globosat, para a exibição dos shows ao vivo na TV e em plataformas digitais, a presença dos shows fora da Cidade do Rock deve se intensificar no pós-pandemia, mesmo que a população seja totalmente imunizada com uma vacina até lá. “Nossa busca é por ampliar a experiência no digital. Estamos desenhando isso neste momento”, frisa Medina.

Para não deixar a marca Rock in Rio paralisada enquanto o setor de grandes eventos fica parado – o retorno não começou a acontecer de forma significativa mesmo em países onde o contágio da covid-19 está bem mais controlado do que no Brasil –, Medina diz que é necessário manter o debate sobre a experiência dos shows viva na mente do público. “Em Portugal, na data em que o Rock in Rio seria realizado, fizemos um especial de quatro horas na televisão.”

Crise

Como a maior parte do grupo Dreamers está ligada a eventos, o número de funcionários nos negócios é flutuante. Apesar de ter feito algumas demissões na equipe fixa, Medina conta que a decisão foi a de não usar a Medida Provisória 936, que permite corte em salários entre 25% e 75% durante a pandemia. “Fizemos o nosso próprio esquema de reduções, com cortes maiores para os profissionais que ganham mais.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.