Em campanha que prega a desconexão, Vivo venderá brinquedos ‘de antigamente’ em lojas

Em campanha que prega a desconexão, Vivo venderá brinquedos ‘de antigamente’ em lojas

Fernando Scheller

24 de fevereiro de 2020 | 06h00

A Telefônica Vivo, líder em telefonia celular no País, vai ampliar as ações de uma campanha iniciada no ano passado e que prega a importância dos momentos de desconexão. Nos últimos meses, o projeto se voltou para uma questão cada vez mais debatida entre os pais: qual é o limite para a interação das crianças com a tecnologia?

Christian Gebara, presidente da Vivo (Foto: JF Diorio/Estadão)

Por ser uma empresa que trabalha com a conexão – tanto com a venda de pacotes de banda larga quanto de aparelhos –, a Vivo decidiu entrar nessa conversa. Depois de criar, com a agência de publicidade Africa, a personagem Vitória, que aborda a importância das brincadeiras à moda antiga, a empresa vai levar esse projeto para suas lojas.

Além de criar espaços para brincadeiras para entreter as crianças enquanto os pais fazem compras, a Vivo terá uma linha de brinquedos educativos a partir de abril. A operadora informa que os produtos foram definidos por meio de parcerias e que não visa lucro com essas mercadorias.

Segundo o presidente da Telefônica Vivo, Christian Gebara, a ideia surgiu de uma reflexão pessoal – o executivo tem dois filhos adolescentes. “É um desafio, porque o mundo digital sempre parece mais interessante. E a gente quis dizer ressaltar a diferença entre jogar e brincar.”

A proposta da campanha é criar um espaço para o debate sobre a conexão humana e para o entendimento sobre quanto ela ajuda ou fica no meio do caminho da convivência.

Novos públicos

Do ponto de vista de marketing, essa conversa sobre a imposição de um limite para o uso de aparelhos eletrônicos permite que a Vivo se comunique com um público que originalmente não é seu alvo: o infantil. “A gente vai fazer palestras e debates sobre o tema. Queremos interagir com todos os públicos, da criança ao sênior”, diz Gebara.

Para o publicitário Mário D’Andrea, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), a adoção de uma causa é a melhor forma de uma empresa ganhar relevância para o consumidor. “É importante a marca entrar de forma genuína em um debate que já existe. E, nesse caso, a Vivo pode fazer isso de forma natural, pois o tema está ligado a seu negócio principal.”