Ministério da Saúde cria nova versão de campanha de vacinação em meio à escassez de imunizantes

Fernando Scheller

21 de janeiro de 2021 | 10h27

O Ministério da Saúde colocou no ar na noite de quarta-feira, 20, uma nova versão da campanha pró-vacinação que havia publicado em 16 de dezembro do ano passado. Desta vez, a vacinação é defendida para todos. Saíram, por exemplo, as referências à vacinação “se tiver indicação”, como havia no vídeo anterior (assista aos dois vídeos e compare).

Assista à nova campanha de vacinação:

No novo vídeo, o ministério afirma que a vacinação vai dar tranquilidade para as pessoas retomarem suas atividades normais e garante que distribuirá todos os imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A campanha de vacinação vem na esteira de um discurso contraditório do governo contra imunizantes – em especial a Coronavac, única opção disponível no Brasil. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou diversas vezes a vacina e também já afirmou que não se vacinaria.

Veja o vídeo sobre vacinação postado em 16/12:

Além disso, apesar de as imagens da campanha mostrarem cenas de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) transportando imunizantes, existe uma escassez de vacinas no Brasil: hoje, são pouco menos de 11 milhões de doses disponíveis da Coronavac. Uma carga de insumos para a fabricação de mais vacinas está parada na China – problema que, após muitos conflitos diplomáticos com o país, o governo agora tenta resolver com negociações que envolvem o governo de São Paulo, o Congresso e o Palácio do Planalto.

A campanha de vacinação lançada em 16 de dezembro, apesar de estar no ar há mais de um mês, foi pouco vista: teve, até agora, um total de 13 mil visualizações no YouTube. O novo vídeo teve, em 12 horas, cerca de 800 visualizações.

Em resposta por e-mail ao Estadão, o Ministério da Saúde disse: “A primeira fase da campanha (dezembro) foi Informativa. Teve como foco esclarecer acerca da imunização. Esta segunda fase teve como briefing emocionar a população e divulgar o primeiro grupo a receber imunizantes.”

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