José Victor Oliva quer criar um camarote ‘vip’ para cada época do ano

José Victor Oliva quer criar um camarote ‘vip’ para cada época do ano

Fernando Scheller

16 de setembro de 2019 | 07h00

Há três anos, o antigo “rei da noite” José Victor Oliva viu uma de suas criações sob ameaça. A decisão da gigante das bebidas Ambev de transferir seus recursos de patrocínio do desfile das escolas de samba da Marquês de Sapucaí para os blocos de rua poderia ser o fim de uma tradição de 25 anos: o camarote das celebridades do carnaval.

José Victor Oliva, dono da Camarote Nº 1: extensão de marca (Crédito: Daniel Teixeira/Estadão)

Sem ter toda a conta paga pela Brahma ou pela Antarctica, Oliva teve de buscar patrocínios no “pinga-pinga” para criar o Camarote Nº 1. Três anos depois, ele se prepara para levar o conceito de camarote exclusivo para diversos outros eventos.

A primeira dessas empreitadas já está a todo o vapor. O empresário, que também é dono de casas noturnas – como o tradicional Bar Riviera, na esquina da Paulista com a Consolação –, está montando cinco noites de festa em Itacaré, na Bahia, para fazer o primeiro Réveillon Nº 1.

Não é a primeira vez que ele promove uma virada de ano novo, mas será a estreia da marca Nº 1 fora do universo do carnaval. No ano passado, durante os dias de folia, ele já havia criado algumas extensões de marca, como uma feijoada, uma “balada” e um hotel. “São todas ações que devem crescer em 2020”, adianta o empresário.

Organizar um réveillon na Bahia, no entanto, exige um esforço logístico maior do que o carnaval no Rio de Janeiro, que já tem uma cadeia de fornecedores azeitada há quase três décadas.

Ao contrário do que ocorre no Rio, onde o cliente só vira “problema” da empresa de Oliva, a Holding Clube, a partir do momento em que chega ao ponto de encontro para ir ao camarote, em Itacaré foi necessária uma parceria com a operadora de turismo Enjoy para garantir que o traslado até o destino final.

Dias de festa

O Réveillon Nº 1 não vai se resumir à virada de 2019 para 2020. Serão cinco dias de festa, começando no dia 28, com 4 mil ingressos vendidos em cada uma das noites. Quem quiser comprar o pacote completo, com direito a bebidas à vontade, arcará com R$ 2,8 mil – o valor é o mesmo para quem usar os serviços de transporte do evento ou para quem chegar a Itacaré por conta própria.

Haverá também pacotes intermediários, mas com um preço por noite relativamente mais alto. “Será um local pé na areia, e muito maior do que o Camarote Nº 1”, adianta Oliva.

Por enquanto, o único patrocinador fechado para o Réveillon Nº 1 é a Ambev. Outras parcerias estão em andamento, segundo Oliva, que fechou parceria com a Ticket 360 para a venda de ingressos. Agora, ele tenta atrair marcas de carros, bebidas quentes e bancos para completar o orçamento para a festa de ano novo na Bahia. A intenção, diz o empresário, é atrair R$ 30 milhões à economia de Itacaré.

Para atrair mais dinheiro para o evento, o empresário aposta na mesma fórmula que vem atraindo empresas para o camarote da Sapucaí: a presença das marcas em evento “vip” e muito compartilhado nas redes sociais de chiques e famosos.

Depois do ano novo, Oliva deve se dedicar a expandir a marca para outras datas comemorativas – no radar ele já tem festas juninas e o Halloween Nº 1. O empresário diz ter viajado o País para mapear festas populares com potencial de atrair o público classe A e abrigar um camarote. Surpreendeu-se, por exemplo, com o profissionalismo das festas juninas em Campina Grande (PB) e Caruaru (PE).

Oliva e Sabrina Sato, no Camarote Nº 1 (Foto: Gianne Carvalho/Estadão)

Chance e risco

Para Jaime Troiano, especialista em marcas e presidente da Troiano Branding, existe um potencial para extensão de nome do Camarote Nº 1 para outras festas pelo País. Ele lembra que, ao longo de três décadas, o camarote de Oliva na Marquês de Sapucaí conseguiu solidificar sua posição de liderança.

Troiano considera que o Nº 1 – marca inspirada tanto pela posição do camarote na Avenida quanto numa antiga campanha da Brahma – tem uma posição poderosa para quem quer ser o “protagonista” de uma festa. “É uma oportunidade, mas também um risco. Cada festa precisa ter sua própria relevância”, diz o especialista. “Não pode ser uma transposição mecânica do que acontece no camarote da Sapucaí. O conceito precisa ser reapresentado de maneira nova.”

Ronaldo como concorrente

Em 2019, o Camarote Nº 1 ganhou um rival de peso na Marquês de Sapucaí. O ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário se juntou a Gabriel David e à promoter Carol Sampaio, que no ano anterior havia justamente atuado no espaço de José Victor Oliva, para abrir o Nosso Camarote.

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