Varejo de tênis rende R$ 5 bilhões no Brasil

Daym Sousa

31 de agosto de 2012 | 18h00

Varejo de tênis rende R$ 5 bilhões no Brasil

Eduardo Vasconcelos e Nathan Lopes

São Paulo, 31/08/2012 – Um foi pensado para tratar bem cada uma das 33 articulações do seu pé. O outro garante passadas mais estáveis, graças a um desnível entre as partes dianteira e traseira do tênis. Tecnologias de ponta desenvolvidas para acertar o passo em um mercado que, no Brasil, chega a render R$ 5 bilhões por ano – quase o dobro do faturamento dos times do futebol brasileiro, segundo o consultor de Marketing e Gestão Esportiva Amir Somoggi. E há espaço para expansão. “Nos Estados Unidos, só a Nike fatura US$ 10 bilhões com a venda de tênis”, explica o especialista. “É o varejo que permite que empresas desse porte financiem patrocínios.”

Segundo o gerente da Mizuno do Brasil Rogério Barrenco, o investimento em tecnologia é vital nesse segmento, porque os consumidores demandam produtos modernos. “As empresas que não investem em tecnologia ficam para trás porque não houve renovação.”

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Tecnologia auxilia na inovação dos modelos de tênis esportivos. (Crédito: Agência Estado)

 

Esse exército de corredores, amadores ou não, soma 4,5 milhões de pessoas, segundo a revista especializada Runners. E tem voz na hora de as empresas pensarem em novos produtos. No caso da Mizuno, essa expertise vinda do consumidor final foi a base para que a marca chegasse a calçados cujos solados têm diferenciais para minimizar riscos de contusões durante a corrida, como o New Dynamation Fit. A fabricante desenvolveu, ainda, o New Smooth Ride, com tecnologia que deixa o tênis mais flexível no calcanhar, mantendo o centro da gravidade do corpo.

Recentemente, os atletas brasileiros puderam utilizar um tênis com nova tecnologia durante os Jogos Olímpicos de Londres, encerrados no último dia 12. A Asics desenvolveu um modelo chamado GEL-Blur 33, inspirado nas 33 articulações dos pés. Tudo para proporcionar melhor amortecimento. A preocupação com o impacto também resultou em outro lançamento da empresa, o Gel Nimbus 14, que tem um desnível de 10 milímetros entre o calcanhar e a parte dianteira do tênis. Assim, o pé fica mais próximo do chão, o que, segundo a Asics, permite um contato estável durante as passadas.

Especialistas em Marketing Esportivo justificam o crescimento desse mercado tem como uma das explicações a atual situação econômica do País, principalmente com a expansão da classe C. “A corrida de rua não é uma modalidade cara”, segundo Fábio Wolff, sócio-diretor da consultoria Wolff Sports e Marketing. “Quando sobra dinheiro, o esporte é uma das primeiras escolhas do consumidor.”

O varejo hoje é responsável por 70% do faturamento da indústria do esporte no Brasil, rendendo cerca de R$ 35 bilhões ao ano. No total, o esporte no País gera R$ 50 bilhões anuais, cerca de 2% do PIB, segundo a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Vendas verdes. Outra tendência no setor é a busca por incluir tecnologias sustentáveis nos produtos. A fabricante de chuteiras e roupas esportivas Tronic consegue, inclusive, utilizar matérias-primas recicladas no País, caso da borracha, dos tecidos de canvas e laminado sintético. Segundo o diretor de Desenvolvimento de Produto da empresa, Pedro Pinto, 90% dos componentes de seus produtos são recicláveis, graças a técnicas modernas de fabricação.

Grandes fabricantes também investem nas vendas verdes. Cada peça com a tecnologia EcoLine, a linha ecológica da Asics, contém duas garrafas pets na fibra do tecido. Nesse segmento, a empresa desenvolveu artigos com modelagem anatômica ao corpo e material que torna mais rápida a evaporação do suor.

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