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Desperdício de energia

Daym Sousa

31 de agosto de 2012 | 18h00

Desperdício de energia é mais um vilão do custo Brasil

O Brasil é pouco eficiente no uso de energia. Quanto o País economizaria se a indústria, maior consumidora, adotasse tecnologias e práticas de gestão de ponta?

José Roberto Castro e Ricardo Carvalho

Indústria de alumínio tem o desafio de reduzir gastos com energia (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Uma empresa com sete fábricas e consumo equivalente ao de uma cidade de 250 mil habitantes é taxativa ao analisar os resultados de seu programa de eficiência energética: gastaria hoje cerca de 50% mais energia não fosse o plano colocado em prática no início dos anos 2000. Quem faz a conta é o diretor de Operações Industriais da 3M do Brasil, Afonso Chaguri. “A energia no País é uma das mais caras do mundo. A indústria daqui tem a obrigação de ser a mais eficiente se quiser competir.” A meta mundial do grupo, revela Chaguri, é ser 15% mais eficiente até 2015.

O caso da 3M, no entanto, parece ser uma exceção. É o que aponta um relatório da organização não governamental American Council for an Energy Efficient-Economy (ACEEE), que listou 12 países responsáveis por 78% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e por mais de 60% do consumo de energia do planeta. O Brasil ocupa apenas a 9ª posição no ranking de eficiência da indústria que analisou tópicos como intensidade energética, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, acordos voluntários entre governo e empresas e obrigatoriedade de auditorias regulares de energia.

O quesito intensidade energética mostra, por exemplo, que as indústrias nacionais precisam de duas vezes mais energia para produzir US$ 1 do que as do Reino Unido, país mais bem avaliado no ranking.
“A eficiência não tem sido uma prioridade (no Brasil). Em outros países, há pelo menos 20 anos os governos vêm cobrando e a indústria se viu obrigada a responder”, avalia o professor Sergio Bajay, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade de Campinas (Nipe-Unicamp).

O custo da ineficiência. Um estudo elaborado em 2009 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Eletrobras indica que a indústria poderia economizar 24,7% dos gastos com energia. O porcentual se refere à diferença dos gastos atuais em energia e o consumo calculado caso a indústria utilizasse as mais modernas tecnologias e técnicas de gestão disponíveis no mercado. Considerando somente a eletricidade (20,4% da energia consumida na indústria), existe um potencial de economia de recursos da ordem de R$ 6,8 bilhões por ano.

“A tecnologia está disponível, mas nós não estamos usando”, diz José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE-USP) e ex-ministro da Educação. Ele cita o caso dos sistemas motrizes, donos da maior margem de economia de eletricidade nas fábricas. “Muitos dos motores industriais no País têm apenas duas opções: ligado ou desligado. Um motor eficiente trabalha com várias velocidades a depender da função que ele precisa realizar. É uma tecnologia já existente que evitaria desperdício.”

O presidente Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco), José Starosta, ressalta que investimentos em eficiência permitiriam ao governo criar “usinas virtuais”. O conceito, explica, refere-se à economia energética que poderia retardar a necessidade de construção de novas unidades geradoras, como termoelétricas e hidrelétricas.

Falta de foco

Segundo o Balanço Energético Nacional de 2012, o setor industrial é responsável por 35% da energia consumida no País, mas nem por isso recebe atenção proporcional das políticas públicas voltadas para a elaboração e instalação de projetos de eficiência.

O Programa de Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (PEE-Aneel), maior financiador público para a área, destina menos de 10% dos seus recursos para a indústria. O grosso dos cerca de R$ 400 milhões anuais – arrecadados pelo desconto de 0,5% sobre a receita das concessionárias – vai para consumidores de baixa renda, que usam menos de 5% da energia do País. A desproporção mostra que falta foco nos investimentos em eficiência, segundo o professor Bajay, do Nipe-Unicamp.

Com uma participação similar da indústria no consumo total de energia, as cifras dos Estados Unidos mostram uma preocupação bem maior com a eficiência. Os órgãos responsáveis do governo federal americano injetam, todos os anos, US$ 100 milhões em programas de eficiência energética industrial.

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