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Aposta no retrô tecnológico

Luis Lima

31 de agosto de 2012 | 18h00

Empresas apostam na tendência do retrô tecnológico

Anna Carolina Rodrigues, Lucas Hirata, Luís Lima e Talita Fernandes

Não é preciso voltar aos anos dourados do filme Grease para curtir o som de uma jukebox. Com o mesmo o painel colorido e a entrada para moedinhas, uma versão atualizada da máquina sintoniza rádio e reproduz cds e arquivos em mp3. Assim como aconteceu com a jukebox, algumas empresas começaram a apostar numa atualização do conceito retrô: a união entre design vintage e tecnologia de ponta no desenvolvimento de novos produtos e serviços.

“Apesar da aparência antiga, eles são adaptados à realidade do século 21”, diz Luciana Stein, diretora da Trendwatching.com na América Latina, empresa de coolhunting, que “caça” tendências em 120 países. “É uma nostalgia com uma pegada mais prática.” Para Luciana , esses objetos se destacam porque conseguem atrair tipos diferentes de consumidores. Aqueles que não eram nem nascidos na época original do produto compram porque acham cool. Os que viveram, por outro lado, compram porque é familiar.

Sabina Deweik, coordenadora do curso de coolhunting da Escola São Paulo, explica que a tendência não significa que as pessoas deixaram de acompanhar lançamentos e novidades de mercado. “Muitos consumidores de produtos retrô não abrem mão das inovações tecnológicas. Isso porque buscam aliar a aura do passado, que traz um conforto emocional, à tecnologia.”

Várias empresas têm apostado nessa tendência. A Fnac, por exemplo, acaba de criar em suas lojas uma seção exclusiva de produtos retrô. Tudo começou com o aumento de vendas de vitrolas, impulsionado pelos lançamentos de LPs no mercado, de artistas como Radiohead, Black Keys e Maria Rita. “Os produtos retrô conquistaram o interesse do público, estimulando o surgimento de novas  marcas”, diz Paula Reis, diretora Comercial da Fnac Brasil. As vitrolas  representam 10% do faturamento de áudio em comparação  aos 2% em 2011. A empresa também tem  produtos retrô em telefonia e, muito em breve, venderá câmeras fotográficas.

Seção retrô na Fnac Goiânia (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A linha de produtos retrô da Brastemp foi premiada no International Design Excellence Awards em 2012. Há sete anos, a empresa lançou o primeiro produto da linha, o “retrôzinho”, um frigobar que esgotou em poucos meses. A Whirlpool, grupo do qual a Brastemp faz parte, possui um departamento chamado Future Insights, voltado exclusivamente para acompanhar tendências e pensar o futuro. Após realizar pesquisas, o desafio da empresa era traduzir para uma linha de eletrodomésticos o “conforto da comida da casa da vó”. Desde a ideia inicial até o lançamento do produto foram 18 meses.

“Com o retrôzinho, a gente conseguiu tirar o frigobar do armário. Deixou de ser apenas um objeto  de praticidade e passou a fazer parte da decoração”, diz Daniela Cianciaruso, gerente geral de marketing da Whirlpool. Com a repercussão positiva, a empresa ampliou a linha e lançou um um refrigerador e um fogão. “É diferente de a pessoa ir a um brechó e comprar um geladeira velha e pintar. Tem experiencia retrô mas tem tecnologia atual”.

Veja a seguir, uma lista com 15 outras marcas que apostaram na tendência retrô:

Eletrodomésticos

 

Linha retrô da Brastemp

Com design retrô, a geladeira dessa linha tem frost free, painel digital, controle de temperatura e baixo consumo de energia. Já o fogão dispõe de grill, timer digital, quadrichama – uma boca mais potente – e pintura automotiva. Preços: frigobar R$ 839; refrigerador R$ 7.599 e fogão R$ 3.899, no site da Brastemp.

Batedeiras Kitchen Aid

Nem todo mundo sabe, mas as batedeiras da Kitchen Aid deram nome à marca. Isso aconteceu depois de a mulher de um dos diretores testar o produto e exclamar, animada: “Não me interessa como você vai chamá-la, mas essa é a melhor ajuda que já tive na cozinha.” A batedeira, a primeira da categoria, foi criada em 1936 pelo designer Egmond Arens e tem lugar garantido no acervo permanente do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. As batedeiras vendidas hoje têm o design praticamente igual ao da época. Preço: R$1.690.

TV Retrô – LG
A LG criou um aparelho televisor com design dos anos 1960 – com direito a antena cromada e pés de TV antiga. O modelo também tem tela plana, closed caption e uma bela definição de imagem, mas, para os mais nostálgicos não ficarem tristes, também é possível ver seus programas favoritos em preto e branco, sépia ou colorido. Preço: R$
350,00. O produto, no momento, está esgotado.

Telefone Classic Watson

Com esse aparelho você vai querer voltar a falar em um telefone fixo. O Classic Watson faz referência ao modelo padrão de telefone público americano da década de 1950, que utilizava moedas para fazer ligações. O produto, que era encontrado apenas em postos de serviços, foi parar nas lojas. A versão remake do telefone ganhou suporte
digital, equipado com o modo tom, que permite controlar o volume da campainha, dentre outras funções. Preço: R$ 429.

Áudio

Vitrolas Teac

A empresa japonesa Teac lançou uma vitrola para saudosistas que não abrem mão do chiado dos vinis. Além dos bolachões, o equipamento toca fitas cassete, tem entrada USB e gravador de CD. Preço: R$ 1.500.


HI-FI Classic da CTX

Para quem gosta de um som de qualidade com um toque de nostalgia, HI-FI Classic da CTX reúne o design dos aparelhos da década de 1940 e altos padrões de tecnologia. Diferente dos rádios daquela época, que sintonizavam apenas a frequência AM, o modelo captura sinal FM e inclui CD player, tocador de fita cassete (outra nostalgia) e entrada e saída de áudio. Preço: R$ 699.

Rádio Classic Liverpool

O retrô Liverpool tem aquele jeito dos anos 1920, época em que o rádio era o principal veículo de comunicação. Apesar de toda a nostalgia, o produto made in China conta com tecnologia de rádio AM/FM digital e CD player. Preço: R$ 899.

Gramophone Texas

À primeira vista, é um legítimo tocador de vinis do início do século 20. A vantagem é que ele vai além. O produto, distribuído pela empresa Ribeiro e Pavani, reproduz arquivos em MP3 por meio de entrada USB e cartão de memória. Também sintoniza rádio AM/FM, toca CDs e, claro, LPs. Preço: R$ 1.290.

Jukebox

Você não precisa mais ir a uma lanchonete ou bar para encontrar um clássico aparelho Jukebox da década de 1940. Desde 2009, é vendida uma versão atualizada do modelo original, que mantém o charme do painel luminoso frontal. Além de permitir que você escolha as músicas do catálogo, a nova versão do produto reproduz arquivos em MP3, CDs e sintoniza rádio AM/FM. Preço: R$ 899.

Rádio Capelinha

Inspirado no modelo Rádio Catedral, da Philco, de 1932, o Rádio Capelinha é vendido desde 2008. Ele sintoniza frequências AM/FM, além de reproduzir arquivos em MP3 por meio de entrada USB e cartão SD. Capelinha foi o nome escolhido para o modelo por causa de suas linhas clássicas, que lembram a arquitetura de uma catedral. Preço:
R$ 560.

Rádio Autorama

Está na dúvida entre vinis, CDs ou arquivos em MP3? O Rádio Autorama é compatível com todos esses formatos e tem entrada USB. O modelo retoma o design das radiovitrolas da década de 1950 e é distribuído pela empresa Ribeiro e Pavani. Preço: R$ 1.190.

Veículos

Bicicleta Retrô da Panasonic

As rodas grandes, o guidão alto e o eixo rebaixado da Ex Be-ENE, da Panasonic, lembram um modelo de bicicleta popular no começo do século 20. Mas, por trás da proteção de metal e bem do lado dos pedais, existe uma bateria de íons de lítio com capacidade máxima de 12Ah, permitindo que a magrela corra por longas distâncias sem a necessidade de você pedalar. Lançado no começo do ano, o modelo, por enquanto, só está sendo vendido no Japão. Preço: 135 mil ienes japoneses (ou R$ 3.500).

DeLorean

O De Lorean, carro icônico do filme “De Volta Para o Futuro”, vai ganhar uma versão elétrica. O novo modelo será equipado com baterias de lítio e deck para conectar iPod e outros tocadores de mp3. Para um modelo elétrico, o veículo será bem possante: ele deverá atingir 96 km/h em 4.9 segundos e ter velocidade máxima de 200 km/h. O produto deve estar disponível nos Estados Unidos em janeiro de 2013. Preço: US$ 100 mil. O produto não é vendido no Brasil.

FIAT 500

O modelo 2012 do Cinquecento preserva o design do carro original, produzido pela montadora italiana Fiat entre 1957 e 1975. A nova versão tem o Ecodrive, um sistema que melhora a eficiência da condução com o objetivo de reduzir a emissão de CO². O veículo também conta com sete air bags, sinalização de frenagem de emergência e freios com sistema ABS. No total, U$ 550 milhões foram investidos em sua produção.  Atualmente, 1.300 novos modelos são vendidos por mês no Brasil. Preço: o modelo Cult custa R$ 40.770.

Carro Disco Volante da Alfa Romeo

Disco Volante, na tradução do italiano, significa disco-voador. Há 60 anos, os projetistas da Carrozzeria Touring Superleggera criaram o modelo e causaram impacto no mercado de automóveis com o design inovador. Para comemorar o aniversário, eles apresentaram no salão de Genebra deste ano um modelo atualizado, e tão bonito
quanto, do veículo. A versão moderna tem chassi aerodinâmico e visual mais futurista. O carro é feito de fibra de carbono e alumínio, com motor 4.7 V8. Mas, se você quiser ter um desses na garagem, vai precisar esperar oito meses para que ele fique pronto. Cada automóvel leva 8 mil horas-homem para ser fabricado. O produto não é vendido
no Brasil.

 

 

 

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