Entrevista: Don Tapscott

Daym Sousa

31 de agosto de 2012 | 18h00

Don Tapscott: “A internet nos permite repensar e reconstruir a civilização”

Anna Carolina Rodrigues e Talita Fernandes

"Se a rede nos permite compartilhar aprendizagem, um novo tipo de consciência coletiva pode ser aplicado dentro e entre as organizações", diz Don Trapscott (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Autor de livros como Wikinomics: Como a Colaboração em Massa Pode Mudar o seu Negócio e A Hora da Geração Digital, Don Tapscott conversou com a Agência Estado sobre a tendência das cidades digitais e o que chama de “Época da Inteligência em Rede”. Leia os principais trechos da entrevista:

Agência Estado: O Grupo Tapscott tem um projeto chamado Open Cities, que ajudou a montar um programa de integração digital em Bogotá, na Colômbia. O senhor acredita que cidades digitais são uma tendência?
Don Tapscott: Levar internet de banda larga a preços acessíveis aos cidadãos é, certamente, o objetivo de muitos países. Alguns deles, como a Finlândia e a Espanha, concluíram que a internet tem tanta importância que deveria ser um direito humano básico. Ambos vão garantir que todos tenham acesso a uma conexão de pelo 1 megabyte a preço fixo. Garantir o acesso, porém, não é suficiente. Os jovens têm o direito de ter as ferramentas, mas devem também poder fazer pleno uso do seu potencial.

AE: Por que é importante desenvolver cidades digitais?
Tapscott: A internet reduz os custos de transação e permite novas abordagens para quase todas as instituições da sociedade. Como aconteceu com a imprensa séculos atrás, a internet é um meio de comunicação que nos permite repensar e reconstruir a civilização – para melhor. Se a rede nos permite compartilhar aprendizagem, um novo tipo de consciência coletiva pode ser aplicado dentro e entre as organizações para que as inovações melhorem e seja criada uma sociedade mais próspera. Por isso, digo que esta não é uma Era da Informação. É uma época de inteligência em rede. É sobre pessoas e sua capacidade de pensar em conjunto, e não sobre a informação, que está se tornando uma commodity.

AE: Em seu discurso na abertura no últimoo TED Global, o senhor falou sobre “Openess”. Como a transparência se relaciona com a economia?
Tapscott: Até pouco tempo, a maioria das instituições era opaca. Com a chegada da internet, pessoas em todos os lugares têm uma ferramenta poderosa para descobrir o que realmente está acontecendo e informar outros sobre isso. Clientes podem avaliar produtos e serviços e funcionários compartilham informações em rede. Para mim, faz sentido abraçar a abertura e transparência, não apenas porque é inevitável, mas porque é bom para você.

AE: Quais são as expectativas do senhor sobre tecnologia, economia e trabalho para a próxima década?
Tapscott:
É urgente a necessidade de repensar nossas instituições globais. Existe um grande número de novos modelos colaborativos que estão se auto-organizando para atender às realidades atuais. São ‘redes de ação global’, ‘redes de múltiplos stakeholders’ e ‘alianças globais’. Na verdade, todo o conceito de inovação social está sendo ampliado das comunidades e nações para o cenário global. As novas colaborações e redes incluem uma combinação dos quatro “pilares” da sociedade – o Estado, o setor privado, a sociedade civil e indivíduos capacitados.

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