Mais recursos para fontes renováveis

Daym Sousa

31 de agosto de 2012 | 18h00

Evolução tecnológica aumenta competitividade e recursos para energias renováveis

Igor Reis

Parques de energia eólica receberam R$ 2,2 bilhões do BNDES no ano passado (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A evolução tecnológica está atraindo um volume crescente de investimentos públicos e privados para projetos de desenvolvimento de energias renováveis no País. Já consolidadas em razão da competitividade do preço, as energias geradas por vento (eólica) e por biomassa receberam R$ 2,5 bilhões em investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2011, um volume 178% maior do que no ano anterior. A energia solar é vista como a próxima a entrar nesse mercado e atrair recursos.

O maior montante foi para a construção de parques de energia eólica, que receberam R$ 2,2 bilhões do BNDES no ano passado. Para este ano, a previsão é destinar 30% a mais para esse segmento. Por trás desse interesse, está a queda no preço da energia, agora mais competitivo graças às torres de aerogeradores mais altas e produtivas. O preço do megawatt-hora (MWh), que era de R$ 312 em 2004, passou a ser negociado a R$ 100 em média em 2011.

“A tecnologia evoluiu de uma forma econômica, de modo que você consegue instalar um gerador de 2 megawatt (MW) a uma altura de 100 metros”, explica o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho. “Essa revolução tecnológica permitiu que os custos caíssem.”

No caso da energia eólica, há outro fator de atração natural. “Os ventos brasileiros são muito superiores aos ventos americanos e europeus. Isso faz com que a geração e a produção eólica sejam maiores, atraindo mais negócios”, disse a presidente da associação que representa o setor (Abeeólica), Elbia Melo.
Um dos projetos beneficiados pelo aumento de investimentos nessa área é o Complexo Eólico Alto Sertão I, da empresa Renova Energia, considerado o maior da América Latin. O complexo recebeu aporte de R$ 884 milhões do BNDES em 2011 para a instalação de 14 parques no sudoeste da Bahia. A capacidade instalada é de 293,6 MW, cerca de 30% do total eólico do País.

Biomassa

Na área de biomassa para a cogeração, o financiamento do BNDES viabilizou uma iniciativa inédita de geração de energia a partir da madeira do eucalipto, com início das operações previsto para o segundo semestre de 2013. O projeto, conduzido pela empresa ERB, recebeu R$ 210 milhões em recursos públicos e R$ 55 milhões do setor privado para suprir a fonte energética da petroquímica Dow, localizada em Candeias, na Bahia. “É a primeira indústria petroquímica do mundo a utilizar a biomassa como fonte de vapor industrial”, afirma o diretor executivo da ERB, Paulo Vasconcellos.

Outra tecnologia promissora para geração de negócios em biomassa é a produção de pellets (partículas desidratadas e prensadas de resíduos moídos). A vantagem do pellet é o seu maior valor energético, chegando ao dobro quando comparado ao cavaco da madeira. O principal mercado desse produto é a Europa. Empresas como Suzano e Bertin já observam esse mercado com o foco na exportação para o continente. “Na Inglaterra, são 12 milhões de toneladas que eles precisam utilizar até 2014, é um mercado muito forte”, afirma o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa (Abib), Celso de Oliveira.

Solar a caminho

A próxima fronteira do desenvolvimento de energias renováveis no País é a energia solar, beneficiada pela recente regulamentação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A regulamentação da Aneel na geração distribuída de pequeno porte (até 1 MW), que concede créditos na conta de energia para quem gerar mais do que consome, é vista como o passo inicial para atração de investimentos nessa área.
Um estudo da consultoria Ernst & Young destacou recentemente o potencial do crescimento da energia solar no Brasil. “O setor solar (brasileiro) está experimentando um forte crescimento graças a novas regulações, programas de financiamento e projetos em desenvolvimento”, diz o relatório. O documento prevê que a nova regulação permitirá que as empresas tenham 80% de descontos na geração distribuída de energia solar. Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, “a fotovoltaica distribuída é um caminho inicial para o desenvolvimento solar”.
O BNDES, segundo ele, deve continuar sendo um dos principais agentes do desenvolvimento nessa área. “O BNDES vai ser o grande promotor de financiamento de solar, como tem sido com a eólica”, afirmou. “Os custos para fonte solar estão caindo no mercado internacional, e isso deve chegar ao Brasil com queda de 15% a 20% ao ano. No curto prazo, a fonte solar vai chegar a um nível competitivo para o sistema brasileiro”, prevê o secretário.

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