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Quatro pontos sobre as eleições 2014

O diapasão de Marina Silva; os 28 partidos que chegarão ao Congresso Nacional em 2015; o Maranhão sem José Sarney depois de 50 anos; e o jogo PT x PSDB.

João Villaverde

07 de outubro de 2014 | 08h35

As eleições entram agora na fase crítica.

A economia está no foco do debate, diferente do que ocorreu em 2006 e em 2010. Mas não será de economia que falaremos aqui, e sim de alguns pontos políticos importantes que ficam como debate ou legado de 2014.

Vamos a eles:

Faltam cinco meses.

A família Sarney perdeu, afinal, no Maranhão. A atual governadora, Roseana Sarney, vai se afastar da vida pública em janeiro do ano que vem, quando passará o cargo para Flávio Dino (PC do B), que teve imensa votação no domingo – foi eleito no primeiro turno. Dino bateu o candidato da família Sarney, Edison Lobão Filho (PMDB), filho de Edison Lobão (PMDB), atual ministro de Minas e Energia. O candidato da família Sarney para o Senado, o ex-ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB), também não conseguiu ser eleito.

Dito isso, é importante lembrar que o patriarca José Sarney (PMDB-AP) ainda é senador da República.

Ele optou por não disputar uma nova eleição pelo Amapá, com o temor de perder no voto. Sua última vitória, em 2006, foi apertada e, de lá para cá, o quadro mudou drasticamente. Mas Sarney ainda é senador e estará no Senado como uma das vozes mais ouvidas e um dos votos mais seguidos em todas as votações importantes que estarão no Congresso Nacional entre novembro e dezembro deste ano.

Sarney será senador até fevereiro de 2015.

Somente em fevereiro é que a nova legislatura – os vencedores das eleições de 2014 – tomará posse. Até lá, portanto, Sarney terá poder direto e ainda forte. Depois disso, é claro, Sarney ainda continuará amplamente influente no PMDB, ainda o maior partido político do Brasil, e também no Senado Federal.

Mas a partir de fevereiro de 2015 não terá mais poder direto. Faltam cinco meses.

Os 28 partidos.

A partir do início do ano que vem, a Câmara dos Deputados receberá parlamentares de nada menos do que 28 partidos. Sim: vinte e oito partidos diferentes.

Ao todo, o Brasil tem 32 partidos políticos. Isso quer dizer que apenas 4 não terão representação no Congresso Nacional entre 2015 e 2018.

O Brasil está ficando partido.

Você conhece cada um desses 28 partidos, caro leitor?

O jogo jogado.

Faltam 19 dias para o segundo turno presidencial. Estamos diante da mesma partida que domina a cena nacional desde as eleições de 1994: PT x PSDB. Os mesmos candidatos que protagonizaram o início, há 20 anos, continuam no jogo. Em 1994, assistimos a disputa entre Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 94 e 98, FHC venceu Lula no primeiro turno. Em 2002, o PSDB foi com José Serra, que perdeu para Lula no segundo turno. Quatro anos mais tarde, em 2006, foi a vez de Lula vencer Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno. Em 2010, Lula bancou Dilma Rousseff (PT) contra José Serra, que novamente perdeu, no segundo turno.

Agora estamos diante da disputa entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB). Mas são Lula e FHC que tomarão à frente, na disputa por corações e mentes dos eleitores.

O PT venceu três disputas (2002, 2006 e 2010) e o PSDB duas (1994 e 1998).

O diapasão de Marina Silva.

Há apenas 18 meses, em março de 2013, a ex-senadora Marina Silva concedeu uma entrevista exclusiva ao Estadão para tratar de sua novidade naquele momento: a criação do partido Rede Sustentabilidade. Ela surgia, naquela ocasião, como a quarta candidata à Presidência com força política: além dela, os candidatos claros em março de 2013 eram a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB) e o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Marina, então, saiu com essa: “Dilma, Aécio e Campos estão todos no mesmo diapasão“.

Meses depois, o registro de Rede foi negado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por falta de assinaturas necessárias para a criação do partido. Marina, então, filiou-se ao PSB de Campos e, ali, deixou claro que, bem, Campos então não estava no mesmo diapasão de Dilma e Aécio.

Agora, derrotada novamente nas eleições presidenciais, Marina tem uma bagagem de quase 21 milhões de votos e dois candidatos loucos para terem seu apoio: Dilma e Aécio.

Será que ela vai escolher um e, ao final, aquela noção de diapasão terá sido totalmente esquecida?

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