Câmbio deve seguir dependente das compras do BC e Tesouro

Josué Leonel

30 de abril de 2010 | 11h26

Salvo no caso de uma nova piora do quadro externo, é provável que o mercado de câmbio continue dependente das compras do Banco Central e, eventualmente, do Tesouro Nacional. As compras originadas do próprio mercado não têm sido suficientes para evitar uma valorização mais acentuada do real. Aliás, nem mesmo com a entrada do Banco Central duas vezes na ponta compradora ontem a moeda americana conseguiu se sustentar. O dólar recuou para R$ 1,732 no fechamento e, na mínima, chegou a encostar em R$ 1,72.
 
Uma segunda possibilidade de sustentação do dólar viria das compras do Tesouro. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse ontem que a instituição vai acelerar as compras de dólares. O Tesouro conta com duas alternativas para comprar a moeda americana: a aquisição para o pagamento da dívida externa e a
utilização do Fundo Soberano.
 
Tudo indica, porém, que o Banco Central continuará como protagonista das compras. As reservas seguem avançando e o presidente do BC, Henrique Meirelles, já adiantou que esta política de expansão vai ser mantida. O dado oficial divulgado ontem pelo BC revelou que as reservas fecharam na quarta-feira em US$ 246,777 bilhões. Embora as reservas tenham um custo de carregamento alto, seu crescimento exerce um efeito positivo sobre a percepção de solidez das contas externas. Assim, reservas altas acabam estimulando a entrada de mais dólares
e a formação de mais reservas.
 
As expectativas de entradas de investimentos já vinham melhorando recentemente com o otimismo diante do crescimento do PIB. Além disso, a alta das commodities, especialmente o minério de ferro, tende a ampliar a receita do País com as exportações, que começam agora a entrar em um período sazonalmente favorável em razão dos embarques da safra agrícola. A decisão agressiva do Copom de elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual, combinada à manutenção dos juros estáveis nos EUA, completou o cenário favorável ao fluxo cambial, ao sinalizar que as condições para arbitragem entre as taxas externas e internas vão continuar vantajosas ao capital estrangeiro.
 
O fato de o Brasil estar entrando na campanha eleitoral vinha sendo considerado por alguns analistas como um fator potencial de pressão para o câmbio neste ano. Até agora, como se vê pelas cotações do dólar, esta previsão não se concretizou. Isso apesar de o mercado saber que os dois principais pré-candidatos, o tucano
José Serra e a petista Dilma Rousseff, não são muito simpáticos a políticas de juros altos e câmbio apreciado. Ou o mercado realmente não acredita que o novo presidente promoverá mudanças, seja quem for o vencedor, ou simplesmente está aproveitando a festa dos juros altos e do dólar baixo enquanto é tempo.

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