Emprego e inflação reforçam sinal de alta do juro

Josué Leonel

18 de fevereiro de 2010 | 19h03

O ano de 2010 começou forte em termos de geração de emprego e com inflação pressionada. Com isso, aumentaram as chances de o Banco Central ter de subir os juros para prevenir um aquecimento excessivo da economia e assegurar que a aceleração dos preços não se torne mais aguda. A princípio, ninguém no mercado parece estar assustado. Porém, levando-se em conta que o Banco Central procura atuar com antecedência, fica difícil imaginar que algum aperto monetário não esteja a caminho.
 
Os indicadores de atividade ainda são escassos neste começo de ano. Um dado já divulgado nesta quinta-feira, porém, parece corroborar a ideia de que o crescimento da demanda, e da economia em geral, será mais forte neste ano. O Ministério do Trabalho informou que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou abertura de 181.419 vagas formais de trabalho em janeiro, melhor marca já registrada para o mês.
 
Os dados de inflação divulgados nesta quinta apontaram alguma desaceleração, mas os índices permaneceram em níveis elevados, acima de 1%. O IPC-Fipe da segunda quadrissemana de fevereiro ficou em 1,09%, ante 1,28% na quadrissemana anterior. O IPC-S ficou em 1,04% no mesmo período, ante 1,33% na primeira quadrissemana.
 
Esta desaceleração da inflação em fevereiro não pode ser computada, contudo, como uma surpresa positiva. Na verdade, os economistas já previam este movimento, uma vez que fatores atípicos ou sazonais que pressionaram os índices neste começo de ano, como alimentos, por causa das chuvas, reajustes de ônibus e educação tendem a perder ímpeto a partir de agora. Estes mesmos economistas, contudo, elevaram a projeção para o IPCA no ano, na pesquisa Focus divulgada nesta semana, para 4,8%.
 
Uma inflação anual de 4,8% em um ano está muito distante dos patamares verdadeiramente dramáticos que o Brasil conheceu em um passado não muito distante. No entanto, não deixa de ser uma projeção levemente acima do centro da meta de 4,5%. Considerando-se que a inflação acumulada no primeiro bimestre do ano fique em torno de 1,5%, sobrariam apenas 3 pontos percentuais da meta para serem acomodados nos 10 meses restantes de 2010. Isso não é impossível, dado que, a rigor, a inflação de um mês pode ficar até negativa. Porém, um cenário de demanda doméstica aquecida e dólar mais pressionado pode tornar mais difícil a obtenção de índices mensais muito baixos ao longo do ano. Uma alta dos juros, segundo reza a cartilha do regime de metas de inflação, poderia ser uma, ou talvez a principal, das soluções.

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