Meirelles em Brasília daria tranquilidade ao mercado

Josué Leonel

12 de fevereiro de 2010 | 10h56

O anúncio feito ontem pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartando a hipótese de concorrer ao governo de Goiás, traz um fator conforto em um ano que começou bastante volátil para os mercados. Meirelles ainda deixou a porta aberta para uma possível candidatura ao Senado, decisão que tomará no final de março. Porém, a desistência da corrida ao governo goiano eliminou uma das possibilidades que havia: a de o presidente do BC ter de deixar o cargo neste começo de ano para se dedicar à campanha fora de Brasília, em uma eleição focada em temas estaduais.
 
Embora ainda não haja uma definição, aumentaram as chances de Meirelles seguir em Brasília e envolvido em temas da economia nacional. Segundo o próprio presidente do BC informou ontem à Agência Estado, o presidente Lula, com quem
conversou nesta quarta-feira, pediu a ele que continue no cargo.
 
O fato de Lula pedir a Meirelles que continue no BC pode significar que diminuíram as chances de o dirigente ser escolhido como vice, representando o PMDB, na chapa de Dilma Rousseff à presidência. Este arranjo agradaria ao próprio Lula, para quem a presença de Meirelles na chapa ajudaria a reduzir eventuais resistências de setores do mercado e do empresariado ao nome de Dilma. Seria repetido, assim, o efeito representado pela presença do empresário José Alencar na chapa de Lula
em 2002. Ultimamente, porém, teria ocorrido um fortalecimento do nome do deputado Michel Temer como indicação do PMDB para vice na chapa do PT.
 
Para o mercado, ter Meirelles ao lado de Dilma na chapa também seria uma solução bem-vinda. Qualquer temor sobre uma ampliação do impulso estatizante de um governo da atual ministra da Casa Civil, por exemplo, certamente seria bastante amenizado. Para ser candidato a vice, Meirelles também teria de se desincompatibilizar, deixando o BC daqui a menos de dois meses. Mas ele continuaria próximo ao centro do poder em Brasília, envolvido nas questões nacionais da candidatura presidencial.
 
Se Meirelles não sair como vice, mas permanecer no Banco Central, a solução ainda deve ser bem-recebida pelos investidores. Apesar da melhora das expectativas para a economia neste ano, o cenário externo permanece incerto, como mostram os recentes eventos na Grécia. Além disso, espera-se para este primeiro semestre, talvez em março ou abril, o início de um processo de alta de juros para manter a inflação dentro da meta em um cenário de maior crescimento econômico.
 
Se tiver de se desincompatibilizar para ser candidato, Meirelles pode sair justamente no momento em que este início do aperto monetário estará sendo iniciado. Embora ninguém seja insubstituível, como o próprio Meirelles provou ao entrar no lugar de Armínio Fraga na mudança do governo FHC para o de Lula, o mercado certamente se sentirá mais confortável se não houver mudanças de comando no Banco Central. Ou seja, Meirelles como vice de Dilma poderia ser uma solução de sonho para muitos empresários e investidores. Meirelles permanecer no BC todo o resto do governo Lula, contudo, também não seria uma má ideia.

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