Mercado faz pausa na piora de projeções para déficit externo

Josué Leonel

22 de fevereiro de 2010 | 19h28

Depois de várias semanas consecutivas de avanço das projeções para o déficit das contas externas, a pesquisa Focus começa a revelar uma pausa na deterioração de expectativas. Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira, a projeção do mercado para o déficit em transações correntes ficou praticamente estável para 2010, em US$ 50 bilhões. Na pesquisa da semana passada, esta projeção havia saltado de US$ 48 bilhões para US$ 50,05 bilhões. De todo modo, o saldo negativo previsto para este ano ainda é o dobro do registrado em 2009.
 
Para 2011, a projeção não apenas parou de piorar como melhorou um pouco, recuando de US$ 57,81 bilhões para US$ 56,41 bilhões. Neste caso, porém, a estimativa já havia cedido na semana passada, de US$ 58,99 bilhões para US$ 57,81 bilhões. Especificamente em relação à balança comercial, porém, as previsões do mercado continuaram piorando para 2011. O superávit comercial projetado para o ano que vem caiu de US$ 5 bilhões para US$ 1,6 bilhão. Para este ano, a projeção manteve-se em US$ 10 bilhões.
 
Esta pausa na piora das projeções para as transações correntes coincide com um momento de alta do dólar, que chegou a se aproximar de R$ 1,90 nos últimos dias, situando-se agora ao redor de R$ 1,80 no mercado à vista. No mesmo período, as projeções da pesquisa Focus também passaram a apontar um dólar um pouco mais alto, de R$ 1,80 no final deste ano e de R$ 1,85 no final do ano que vem. Entre o final do ano passado e o começo deste ano, a projeção para o dólar no encerramento deste ano ficou ao redor de R$ 1,75.
 
É possível que a ocorrência de um câmbio mais depreciado esteja levando o mercado a reconsiderar as apostas anteriores em uma forte deterioração das contas externas neste e no próximo ano. Um dólar mais alto, porém, traz a contrapartida de uma maior pressão inflacionária. Tanto que a projeção para o IPCA em 2010, que passou boa parte do tempo até o final de 2009 em nível próximo ao centro da meta, de 4,5%, vem subindo paulatinamente nas últimas semanas. Nesta última pesquisa Focus, passou de 4,80% para 4,86%. Do lado positivo, a pesquisa segue registrando melhora gradual nas projeções para o PIB, que passaram de +5,47% para +5,50% neste ano.

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