Mercados oscilam à espera de definições

Josué Leonel

22 de março de 2010 | 11h08

Os mercados financeiros ensaiam o retorno a uma maior volatilidade na abertura desta semana. Indefinições em várias frentes, aqui e no exterior, tendem a dificultar a retomada de uma trajetória clara para os negócios. Níveis de preço
como os de R$ 1,80, para o dólar, a cotação de US$ 80 para o petróleo e um Ibovespa de 70 mil tendem a continuar como referências para estes segmentos do mercado. Abaixo destes patamares as compras são estimuladas, enquanto acima os investidores ficam mais sensibilizados para a venda.
 
Na bolsa, uma escalada de alta parece ser desestimulada pela incerteza em relação à capitalização da Petrobras. A operação só deve ser definida nos próximos meses e não se sabe quanto ela vai retirar da liquidez do mercado. Uma definição de tendência pela baixa, porém, é desencorajada pela expectativa com o reajuste do minério negociado pela Vale. Um reajuste no pico das estimativas comentadas recentemente, de 80% a até 100%, não está embutido nos preços e poderia motivar a alta das ações da mineradora e da bolsa como um todo. Como estas duas companhias chegam a representar 40% da Bovespa, seu impacto sobre o mercado como um todo é expressivo.
 
A alta do juro na Índia na sexta-feira passada também não deixa de ser representativo de um dos fatores de risco para este ano, que é o de aperto monetário generalizado em todo o mundo, principalmente nos grandes países emergentes. Embora o mercado tenha se surpreendido com a decisão do BC indiano, em algum momento a alta tenderia a ser adotada, uma vez que tanto a inflação quando a projeção de crescimento do PIB no país se aproximavam de 10%. A Índia tornou-se o primeiro dos Brics a subir juros e a expectativa é que a medida seja acompanhada pelo Brasil e China.
 
A própria alta dos juros no Brasil, embora esperada pela maioria dos analistas para abril, ainda é cercada de incertezas. Para o crescimento do PIB este ano, provavelmente não fará tanta diferença se a Selic fechar o ano em 11% ou 12%. No
entanto, uma taxa maior ou menor poderá fazer diferença no mercado de câmbio. Na semana passada, por exemplo, o fato de o Copom não ter aumentando a Selic foi um dos detonadores da alta do dólar.
 
No exterior, o conjunto de fatores de risco também é considerável. A Grécia volta ao radar dos investidores, diante da demora da União Europeia em aprovar uma ajuda ao país. Nos EUA, a aprovação do plano de saúde do presidente Barack Obama pode ser visto pelo lado positivo, o de que os gastos representarão uma ajuda anticíclica adicional para evitar a volta da recessão. Em um primeiro momento, contudo, o mais provável é que o plano seja visto pelo seu aspecto negativo, que é o custo a ser representado para o governo, cuja situação fiscal é delicada, e para as empresas.

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