Temor de superaquecimento embala expectativa sobre Copom

Josué Leonel

26 de abril de 2010 | 11h01

Mais do que o comportamento dos índices de inflação neste momento, o temor de que a economia brasileira possa estar entrando em uma fase de superaquecimento ganha destaque nos debates em torno do Copom. Este é um dos argumentos preferidos da ala dos economistas que defende uma alta mais vigorosa da Selic, de 0,75 ponto porcentual, na reunião desta semana. Eles temem que a demanda esteja em ritmo superior à capacidade da oferta, o que ampliaria os riscos de alta da inflação.
 
Muitos dos economistas que apostam em uma alta mais moderada de 0,50 pp da Selic, por sua vez, argumentam que o discurso do presidente do Banco Central até a semana passada vinha sendo coerente com uma ação mais comedida do Copom. Meirelles vinha destacando que o BC foca as expectativas inflacionárias em 12 meses e em 2011, que estão menores do que para 2010.
 
Vale lembrar que em março, quando os economistas se dividiam entre as apostas em estabilidade e em alta de 0,50 pp antes do Copom, a comunicação do Banco Central também foi utilizada como argumento pela alta que previa que a Selic ficaria inalterada. Eles observavam que o BC não podia subir o juro já em março, ainda que houvesse razões técnicas para isso, porque a autoridade monetária não havia dado antes qualquer sinalização. Tenha sido ou não esta a justificativa, o fato foi que a Selic realmente não subiu.
 
Agora em abril, justamente na reta final das apostas para o Copom, surgem declarações atribuídas ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que parecem assumir um tom mais conservador. Segundo relato da Reuters, Meirelles disse no sábado, em Washington, que o BC será “absolutamente rigoroso” e que “aqueles que pensam que o Banco Central será leniente com a inflação estão enganados”.
 
A ideia de uma economia superaquecida também teria sido citada por Meirelles, de acordo com relato do site Bloomberg.com. O presidente do BC teria dito que a economia está “aquecida e há um risco de superaquecimento, mas que não será permitido que isso aconteça uma vez que “o Banco Central está pronto para tomar as medidas necessárias”. Meirelles teria afirmado ainda que “em situações como esta, nós precisamos de um programa de ação vigorosa”.

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