Tempo segue nublado, mas dá sinais de melhora para o mercado

Josué Leonel

11 de fevereiro de 2010 | 11h49

O tempo mais tempestuoso de janeiro, que vigorou até o início deste mês, começa a dar alguns sinais de melhora. Nuvens mais pesadas como as representadas pela crise fiscal nos países europeus e o aquecimento da economia chinesa ainda não foram removidas, mas se mostram menos ameaçadoras. No caso da Grécia, a aprovação do pacote de ajuda à Grécia pode trazer alívio aos mercado. 

Outra ameaça que parece menos grave é a de um superaquecimento que desperte a inflação na China. O índice de inflação ao consumidor anual divulgado hoje na China ficou em 1,5% em janeiro, abaixo dos 2% esperados pelo mercado e da taxa de 1,9% de dezembro. Houve o contraponto negativo da elevação do índice de preços ao produtor (CPI), que atingiu 4,3% em janeiro, acima dos 3,5% previstos pelos analistas e do resultado de 1,7% em dezembro. 

Outros indicadores divulgados na China também não mostram uma tendência clara de desaceleração do crescimento e de suavização das pressões inflacionárias. No entanto, o fato foi que o CPI parece ter bastado, ainda que momentaneamente, para arrefecer os temores de aperto monetário no país. 

A definição da semana nos mercados ainda vai depender dos indicadores de consumo que vão ser divulgados amanhã nos EUA, sobretudo os dados de vendas no varejo e sentimento do consumidor. A boa notícia é que, para ambos, a expectativa é de alta, o que, se confirmando, deve reforçar a aposta em uma continuidade da recuperação econômica nos EUA neste ano. O lado negativo desta perspectiva, e que pode trazer volatilidade em alguns ativos como as moedas e as taxas de juros, é que a volta do crescimento também tende a ser acompanhada pelo aperto monetário. 

Não foi à toa que os mercados foram afetados ontem pela nota divulgada pelo presidente do Fed, Ben Bernanke, sinalizando que a política da instituição pode ser apertada por meio de um aumento no juro pago aos bancos pelos recursos depositados no Federal Reserve, de forma que ele seja superior à taxa dos Fed Funds. Pouco importa como os juros vão subir, importa é que o custo do dinheiro subirá. 

Ainda que a alta dos juros americanos possa ter consequência nas taxas brasileiras e no valor do real diante do dólar, causando volatilidade, trata-se de evento positivo em linhas gerais. Afinal, se Bernanke está falando em apertar a política monetária, é sinal de que a atividade econômica americana está melhorando, o que tende a irradiar impulsos de crescimento em todo o mundo. A recíproca é que seria ruim: o Fed não elevar os juros diante da evidência de que a economia continua muito fraca e segue dependente de estímulos.

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