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A agenda furada

José Paulo Kupfer

05 de outubro de 2009 | 11h45

O debate sobre o que levou os economistas a errarem como erraram, no episódio da atual crise da economia global, diferentemente daqui,  continua forte nos Estados Unidos. Aqui vale a mão do gato. Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém tem nada com isso. Aqui opera o “Paradoxo da rua suja” – ninguém joga papel nas ruas, mas elas vivem imundas.

O pior da história é que os que louvaram e suportaram, com “teorias” e “ciências”, o processo tumoral que levou ao crash de 2008 continuam a dar as cartas no debate econômico aqui no Brasil. Por conta de uma visão ideológica e sectária, erraram na avaliação da evolução da economia global, erraram nas consequências e na profundidade da crise no Brasil, mas continuam dominando a agenda local do  debate econômico. Nela, o terrorismo fiscal – expressão de um modo anti-povo de ver as políticas econômicas  -, bem denunciado pelo secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, é o tema recorrente.

Para esquentar o início da semana, segue um artigo do jornalista Harold Meyerson, colunista do The Washington Post, traduzido no domingo pelo Estadão. Meyerson faz uma analogia entre a “ciência econômica” dos sábios do mercado e a “ciência astronômica” pré Copérnico e Galileu. No mínimo, instigante.

Um trecho do artigo:

Existe um grupo de profissionais que tenha errado de maneira tão espetacular? Creio que só os astrônomos e cosmólogos antes de Copérnico. E pela mesma razão: eles tinham um sistema perfeito, consistente, teoricamente rico que descrevia o universo. Erraram: o Sol e outros corpos celestes, salvo a Lua, não giram em torno da Terra, como insistiam. Mas, não importa. A sua ordem cósmica era bela. E sua crença era corroborada em parte pela pseudociência – crença da qual livres pensadores como Galileu se desviaram por sua conta e risco.

E o link para a íntegra da tradução:

http://docs.google.com/Doc?docid=0AY5uonV50BaeZGdyMmhidzhfMzdkZDNoNXQ2OA&hl=en

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