A bola está com Obama

José Paulo Kupfer

12 de fevereiro de 2009 | 16h24

Concluídas as negociações do plano Obama no Congresso americano, ficamos na expectativa de sua execução. A coisa saiu um pouco diferente do que o novo presidente queria – menos dinheiro para os pobres, mais, via maior renúncia fiscal para os menos pobres –, mas, no fim das contas, salvaram-se os dedos. Agora, a bola volta para Obama.

Não será um passeio na brisa da primavera. Antes de tudo porque do bolo de quase oito centenas de bilhões de dólares nem tudo é recurso firme. O plano, com o perdão da comparação, é uma espécie de PAC. Além de projetos públicos e de renúncias fiscais, tem muito de intenção e, também, de expectativa de aporte de dinheiro privado.

Enrolado mesmo está o outro plano de Obama, que está sendo cozinhado em público pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner. Ficou claro na reação dos mercados que o ceticismo sobre o plano Geithner de “saneamento” dos bancos não se deve aos valores envolvidos. Há um consenso de que US$ 1,5 trilhão, US$ 2 trilhões ou US$ 2,5 trilhões é dinheiro que não acaba. A dúvida, como no caso do plano geral de Obama, está na execução.
 
Ainda que faltem detalhes, dá para perceber que a solução escolhida pelo governo Obama, para os problemas do sistema financeiro, é uma volta ao mundo sem sair do lugar. É visível que se trata de um esforço para evitar uma estatização pura e simples dos bancos insolventes. A primeira impressão é de que será um esforço inútil.
 
Defendida por gente de peso como os ganhadores do Nobel Joseph Stiglitz e Paul Krugman, sem falar no ‘novo guru’ dos mercados, Nouriel Roubini, a estatização, na visão deles, é uma solução mais rápida, mais eficaz e, no fim das contas, menos custosa para os contribuintes.

O plano Geithner é uma tentativa de atrair investidores privados para um negócio garantido pelo governo, mas nem por isso sem risco. O risco deriva de uma série de perguntas ainda sem respostas: qual o volume e quanto valem os ativos podres? Quem vai fixar o preço e como?  Quem garante que, apesar de todas as garantias, ainda assim o investimento nos papéis podres não será um novo mico?

Em nova sessão no Congresso, ontem, pressionado pelos parlamentares, Geithner continuou sem oferecer as respostas convincentes. Talvez ele não queira – ou não possa dizer – que é só uma questão de tempo a deglutição pública dos ativos podres, via estatização. 

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