Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

À espera das medidas concretas

José Paulo Kupfer

26 de outubro de 2011 | 20h01

Impossível saber quanto se desperdiçou, em dinheiro e em energia, sem falar no pior, as tensões e os riscos políticos potencializados, com a hesitação europeia diante da crise de solvência de algumas economias da zona do euro. De todo modo, bem ou mal, uma após outra já caíram todas as dúvidas sobre o que é preciso ser feito para evitar uma catástrofe político-econômica na região.

O roteiro óbvio, mas que demorou uma eternidade para se tornar óbvio, inclui duas etapas. Uma primeira etapa de estancamento emergencial da sangria e uma outra, de maior abrangência e repercussão, mas de execução ainda mais complexa, que deve tratar da recuperação da competitividade das economias da região, sobretudo as da sua periferia.

A primeira fase é até simples perto da segunda. Trata-se, de um lado, falando em linguagem direta, de definir o tamanho do calote da dívida grega. Feito isso, é preciso colocar recursos à disposição do sistema bancário, num montante capaz de sustentar as perdas efetivas que eles terão de engolir em razão da redução efetiva do valor dos títulos soberanos que carregam. Esse mesmo roteiro, se bem sucedido no caso da Grécia, deverá ser estendido aos demais países superendividados da região.

A segunda fase de um plano sustentável de recuperação exigiria reformas institucionais na Eurolândia e um aprofundamento da integração entre os países que a formam. Aqui a coisa pega mais, pois há grande disparidade, não só econômica, mas também política e cultural, entre eles. Novos limites para endividamento e esforços no rumo da estruturação de um Tesouro regional são pontos focais dessa difícil caminhada.

Os comunicados e declarações dos dirigentes da União Europeia, notadamente seus principais líderes, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao longo da reunião de cúpula desta quarta-feira são indicativos de que a primeira etapa do roteiro será posta em ação. Mas, o plano que dará contornos concretos às decisões de Bruxelas só deverá ser conhecido nós próximos dias.

Pela reação dos pregões, os mercados gostaram do que foi prometido, mas, escaldados com as hesitações e dificuldades políticas dos dirigentes europeus, talvez tenham deixado o entusiasmo para quando sair o plano de ação prometido, com medidas concretas.

 

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