A propaganda (literal) do grau de investimento não mente

José Paulo Kupfer

07 de maio de 2008 | 16h36

A exploração mercadológica do “grau de investimento”, concedido por uma empresa de classificação de riscos financeiros ao Brasil, ganhou hoje sua melhor e mais clara expressão. A Bolsa de Valores de São Paulo e a Bolsa de Mercadorias e Futuros, que estão em processo de fusão, compraram uma página inteira dos principais jornais brasileiros para comemorar o “feito”, como se fosse uma vitória brasileira no campo esportivo.

“É do Brasil.”, mancheteia a propaganda, invocando um dos bordões ufanistas do locutor Galvão Bueno quando um atleta com a camiseta verde e amarela ganha algum torneio ou uma seleção brasileira faz um gol ou um ponto.

A mensagem logo abaixo do bordão é daquelas bem explícitas: “O grau de investimento é uma vitória do governo, do mercado, das empresas e que todo o País vai comemorar”.

O texto que detalha a comemoração não deixa dúvida de como o mercado – esse que, junto com o governo, é o vitorioso do “grau de investimento” – vê o mundo. O grau de investimento, concedido por uma empresa às voltas com problemas de credibilidade, depois do fiasco da graduação de papéis podres envolvidos na atual crise financeira internacional, “representa um reconhecimento e um avanço para o País”, assim como, lógico, “mais negócios nas bolsas”.

Aos brasileiros em geral, a mensagem das duas bolsas brasileiras, nossos símbolos de mercado, acena com mais investimentos, crescimento econômico, mais empregos e prosperidade. Mas essa parte, se ainda for o caso de levar em conta a História, é a ver.

Anúncio de página inteira publicado hoje nos principais jornais brasileiros

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