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Ainda em marcha à ré

José Paulo Kupfer

14 de maio de 2013 | 11h06

Deflagrada por disfunções no lado financeiro da economia, a crise global produziu impressionantes impactos nos volumes de ativos e em seus fluxos. Cinco anos depois da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, convencionada como o marco zero da crise, o retrato das finanças globais ainda revela uma cena de contração no ritmo das operações e de expressivas mudanças de direção nos fluxos financeiros ao redor do planeta.

O volume de ativos financeiros em circulação não chegou a encolher, em termos absolutos. Mas, além de sofrer enxugamento relativo, passou a se movimentar em ritmo muito mais lento. Houve também uma marcha a ré na globalização financeira, na direção das fronteiras locais.

Em números absolutos, o estoque total de ativos financeiros – depósitos bancários, financiamentos, títulos de dívida privada e pública, ações de companhias – alcançou, na metade de 2012, volume recorde de US$ 225 trilhões. O fato de que esse montante representa quase 10% a mais do que o registrado em 2007, no entanto, pode enganar.

Quando se observa em termos relativos, o que se verifica é que tem se dado um contínuo encolhimento.  Para confirmar isso, basta saber que, se hoje a soma expressa relação equivalente a 312% do total da produção global, há cinco anos equivalia a 355% do PIB.

Estas são informações extraídas da edição de 2013 do relatório do McKinsey Global Institute (MGI), braço de pesquisas de consultoria global McKinsey, sobre o mercado financeiro global. O relatório, com dados até fins do ano passado, referentes a 183 países, é o mais recente de uma série anual iniciada em 2005, que permite acompanhar, passo a passo, a evolução das finanças globais e seus reflexos na economia real (http://migre.me/ex4ec).

São visíveis as indicações de que o processo de globalização econômica deu uma estacionada – se não recuou. Em comparação com 2007, pico do último ciclo de crescimento acelerado da economia e das finanças globais, pode-se verificar, em 2012, uma redução de 60% nos fluxos de capital estrangeiros entre países e um corte de US$ 3,7 trilhões nos financiamentos dos bancos da zona do euro fora da região. A circulação de ativos financeiros entre economias caiu de US$ 11,8 trilhões, em 2007, o equivalente a 20% do PIB global na época, para menos de US$ 5 trilhões, em 2012, não mais do que cerca de 6% do PIB.

Em paralelo ao encolhimento relativo dos fluxos, ocorreu também uma alteração importante na direção deles. No ano passado, um total de US$ 1,5 trilhão em investimentos estrangeiros globais foi direcionado a economias emergentes. O valor equivale a 32% do total de investimentos externos no ano, e em 2000 essa cifra não passava de 5% do total. Outra novidade é o aumento dos investimentos de países emergentes em economias maduras e o avanço nos fluxos de investimentos estrangeiros entre emergentes, na direção “sul-sul”.

Embora os fluxos de investimento direto externo tenham sofrido uma contração de 15%, em 2012, o fato positivo é que tem aumentado a participação deles no total dos fluxos de ativos estrangeiros em circulação. As estimativas é que esses recursos, tidos como mais estáveis, tenham respondido por cerca de 40% do total, no ano passado.

Ao analisar o estado das finanças globais em perspectiva, os autores do relatório do McKinsey Institute projetam cenários. Para que a situação revertesse, teria de ocorrer uma mudança nos portfolios financeiros, com ênfase menos em empréstimos bancários do que na ampliação do papel dos mercados de capitais. Mantidas as tendências atuais, porém, o mais provável é que, até por volta de 2020, o volume de ativos financeiros globais, em relação ao PIB, permaneçam nos níveis de hoje ou até mesmo ainda encolham um pouco mais.

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