Ainda pressionados

José Paulo Kupfer

08 de fevereiro de 2014 | 16h57

Uma rara surpresa positiva ocorreu com a evolução do IPCA em janeiro. A variação do índice de preços que serve de baliza para o sistema de metas de inflação, desta vez, registrou alta menor do que a apontada nas projeções dos analistas de mercado. Com 0,55% de elevação em relação a dezembro, contra a expectativa mediana de 0,61%, o IPCA em 12 meses recuou, em janeiro, para 5,59%.

 

Ocorre que as pressões sobre os preços em geral, depois do ajuste em janeiro, continuam presentes. O recuo do índice, em janeiro, se deveu, em primeiro lugar, à forte contração no item Transporte, com destaque para a deflação nas passagens aéreas e a diluição do impacto do aumento nos preços dos combustíveis.

 

Puxada para baixo, em janeiro, por itens específicos, a trajetória da inflação em 2014 ainda não dá sinais consistentes de moderação. Já em fevereiro, com as previstas altas mais pesadas no item Educação – mensalidades e materiais escolares –, por exemplo, as projeções apontam variação do IPCA acima de 0,6%, o que, caso se confirme, faria a inflação em 12 meses interromper uma sequência de seis meses de quedas.

 

A tendência para 2014, mesmo considerando o recuo de janeiro, é de manutenção de um ambiente de preços pressionados, embora não descontrolados. Um índice de difusão de preços acima de 70% – ou seja, só 30% dos itens que compõem a cesta de produtos e serviços do IPCA não sofreram algum tipo de aumento em janeiro – dá suporte a essa expectativa.

 

Janeiro, em resumo, não mudou as projeções iniciais dos analistas para a marcha da inflação em 2014. A variação do IPCA rondará, mês a mês, as vizinhanças de 6%, em 12 meses, com grandes riscos de superar o teto da meta de inflação, de 6,5%, no terceiro trimestre do ano. A previsão para o fechamento de 2014 é de que a inflação se mantenha dentro do intervalo da meta, mas acima dos 5,91% de 2013.

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